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Inovação Cervejeira: Pesquisadores Transformam Cerveja em Matriz Probiótica Não Láctea

Uma revolução está ocorrendo no mundo das cervejas artesanais, e não se trata apenas de sabores ousados e ingredientes exóticos. Pesquisadores têm explorado novos horizontes, transformando cervejas em uma inovadora matriz de distribuição de probióticos não lácteos. Em um estudo pioneiro, a levedura probiótica Saccharomyces boulardii foi incorporada à cerveja, desencadeando uma série de descobertas empolgantes que podem mudar a maneira como enxergamos as cervejas e os benefícios para a saúde.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Cádiz (Espanha), visava explorar alternativas aos produtos lácteos como veículos de probióticos. Dada a crescente prevalência de intolerância à lactose, alergias ao leite e a crescente adoção do vegetarianismo, a busca por alimentos não lácteos com características probióticas estava em alta. A cerveja, a terceira bebida mais consumida globalmente, emergiu como uma candidata surpreendente para essa função.

Os cientistas escolheram a Saccharomyces boulardii como protagonista dessa transformação. Essa levedura probiótica demonstrou resistência aos desafios da cerveja, incluindo os componentes amargos extraídos do lúpulo durante a fervura do mosto. Os resultados foram impressionantes: a cepa de levedura probiótica mostrou crescimento substancial em mostos preparados com diferentes concentrações, atingindo uma concentração final de células acima de 1×108 UFC/mL-1 mL^−1 em todos os casos.

Saccharomyces boulardii

As cervejas probióticas resultantes não apenas abrem novas portas para a saúde intestinal, mas também oferecem características sensoriais intrigantes. Um detalhe interessante é que as cervejas probióticas exibiram menor turbidez, o que poderia facilitar processos de filtragem. Além disso, apresentaram teores alcoólicos ligeiramente inferiores, um benefício adicional para quem busca opções mais saudáveis. Ainda, o pH ligeiramente menor dessas cervejas é uma defesa natural contra a deterioração.

A análise química das amostras revelou que as cervejas produzidas com a levedura probiótica exibiram concentrações significativamente maiores de compostos voláteis, proporcionando um perfil aromático único. A análise sensorial, que avaliou o sabor e aroma das cervejas, destacou diferenças entre as cervejas probióticas e as tradicionais. As probióticas revelaram um aroma cereal mais pronunciado, enquanto as tradicionais se destacaram por aromas frutados e florais.

Essa pesquisa preenche uma lacuna no campo das bebidas alcoólicas como matriz para probióticos, com implicações emocionantes para a indústria cervejeira e para a saúde do consumidor. Embora haja mais a ser explorado, os resultados são promissores e podem pavimentar o caminho para cervejas que não apenas satisfazem o paladar, mas também contribuem para o bem-estar geral.

A cerveja, há muito tempo uma paixão global, pode agora ganhar um novo status como portadora de benefícios probióticos. À medida que os consumidores se tornam mais conscientes de suas escolhas alimentares, essa inovação pode revolucionar o mercado cervejeiro e, ao mesmo tempo, nutrir a saúde intestinal de maneiras nunca antes imaginadas.

Saiba mais sobre o estudo buscando na referência: DÍAZ, Ana Belén et al. Development and Characterization of Probiotic Beers with Saccharomyces boulardii as an Alternative to Conventional Brewer’s Yeast. Foods, v. 12, n. 15, p. 2912, 2023. https://doi.org/10.3390/foods12152912

Fundada em 2020, a Agron tem como missão ajudar profissionais a terem experiências imersivas em ciência e tecnologia dos alimentos por meio de cursos e eventos, além das barreiras geográficas e sociais.

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