Back

NUTRIÇÃO E A SAÚDE DA MULHER: UM OLHAR SOBRE A ENDOMETRIOSE

Capítulo de livro publicado no livro do I Congresso Internacional em Ciências da Nutrição. Para acessa-lo  clique aqui.

DOI: https://doi.org/10.53934/9786585062015-24

Este trabalho foi escrito por:

Elaine Cristina de Oliveira *; Priscila Antão dos Santos ; Amanda Ellen Silva Francisco ; Kelly Cristina Muniz de Medeiros

*Autor correspondente (Corresponding author) – Email: [email protected]

Resumo: A saúde da mulher requer atenção e cuidados únicos, pois o organismo feminino sofre muitas mudanças hormonais e fisiológicas no decorrer da vida. A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de mucosa do tipo endometrial, fora da cavidade uterina e, na grande maioria, acomete mulheres em idade reprodutiva, podendo ser assintomáticas. A nutrição tem papel relevante na recomposição e reestruturação físico-química do corpo humano, com isso, os nutrientes dos alimentos podem contribuir de forma efetiva tanto na causa quanto para o restabelecimento da endometriose, ou seja, os alimentos estão associados ao equilíbrio hormonal nas mulheres. Muitas pesquisas vêm demonstrado que a adoção de uma vida fisicamente ativa, hábitos alimentares saudáveis e uma dieta equilibrada são capazes de prevenir e/ou amenizar os sintomas da endometriose. O presente estudo tem como objetivo apresentar os benefícios de estratégias alimentares e nutricionais para a saúde das mulheres que são acometidas pela endometriose.

Palavras–chave: endometriose; nutrição; saúde da mulher

Abstract: Women’s health requires unique attention and care, as the female organism undergoes many hormonal and physiological changes throughout life. Endometriosis is a chronic inflammatory disease characterized by the presence of endometrial mucosa outside the uterine cavity and, in the vast majority, affects women of reproductive age, and may be asymptomatic. Nutrition plays an important role in the physical-chemical recomposition and restructuring of the human body, with this, the nutrients in food can effectively contribute to both the cause and the restoration of endometriosis, that is, foods are associated with hormonal balance in women. . Many studies have shown that the adoption of a physically active life, Healthy eating habits and a balanced diet are able to prevent and/or alleviate the symptoms of endometriosis. The present study aims to present the benefits of dietary and nutritional strategies for the health of women who are affected by endometriosis.

Keywords: endometriosis; nutrition; woman health

INTRODUÇÃO

A condição de saúde está atrelada a diferentes aspectos da saúde do indivíduo estando relacionada ao local que se vive e trabalha, ao salário e à alimentação. As mulheres sendo a maioria na população brasileira, em torno de um pouco mais de 50% da população, e também, maiores usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), têm problemas em relação a diversas variáveis como: o agravamento de suas condições de saúde pelo fato de ter que assumir as responsabilidades das atividades domésticas, a raça, a situação financeira prejudicada e a discriminação sob suas condições de trabalho (1).

A saúde da mulher, no Brasil, se associa às políticas públicas nacionais de saúde desde as décadas do século XX, baseando-se em suportar as necessidades que dizem respeito ao estado de gravidez e ao momento do parto. Nas décadas subsequentes, em programas materno-infantis, trouxeram um olhar estreito relativo à mulher estar estritamente ligada à particularidade biológica, em suas responsabilidades como dona de casa, mãe, procriadora, cuidado, educação e saúde dos filhos e de toda a família (2).

Diante desta situação e toda a responsabilidade atribuída, ela acaba por vezes deixando de lado o cuidado com a saúde, como ir ao médico periodicamente, realizar os exames ginecológicos, cuidar da alimentação, ter lazer e descanso e, com isso, a endometriose, que é uma doença crônica, podendo ser dolorosa, onde partes do tecido endometrial crescem fora do útero, tem liberdade para acometer cerca de 10%  de todas essas mulheres, entre 20% a 25% das inférteis e entre 75% a 80% das que possuem dores pélvicas permanentes (3).

A alimentação para o indivíduo é um dos requisitos básicos para a promoção, cuidado e recuperação da saúde, desta forma a má alimentação, ou uma alimentação baseada em consumo excessivo de alimentos ultraprocessados ou falta de alimentos com seus respectivos nutrientes e micronutrientes podem potencializar o risco relativo ao desenvolvimento de doenças. No Brasil, vivemos duas realidades de difícil controle, sendo elas: sobrepeso e obesidade, bem como a desnutrição e carências nutricionais, aumentando assim a necessidade de suplementação de micronutrientes, haja vista as más consequências à saúde que podem provocar ou às boas consequências com sua prevenção a doenças (4).

Uma alimentação saudável e rica em nutrientes pode oferecer ao corpo condições para manter o organismo sadio. Portanto, o objetivo desde estudo foi apresentar por meio de uma revisão de literatura, os benefícios de estratégias alimentares e nutricionais para a saúde das mulheres que são acometidas pela endometriose.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a realização desta revisão de literatura, utilizou-se de uma pesquisa de títulos relevantes para referida composição, cujas informações foram obtidas por meio de materiais da literatura científica, de forma criteriosa. Os materiais selecionados foram escolhidos baseados no tema “Nutrição e a saúde da mulher: um olhar sobre a endometriose”, aplicando critérios de inclusão da pesquisa científica, publicações nos idiomas português e inglês, levando-se em consideração a escolha dos trabalhos com limite de tempo de 5 anos, entre o período de 2017 e 2022. E foram excluídas publicações que não atenderam aos critérios de inclusão, além de artigos repetidos ou que não possuem relação com o assunto em estudo.

A revisão de bibliografias foi orientada por pesquisas realizadas em bases de dados eletrônicas, tais como o redirecionador Google Scholar – Google Acadêmico, Scientific Eletronic Library – SciELO, National Library of Medicine – PubMed, a Biblioteca Virtual em Saúde – BVS. Para busca das referências foram utilizados os descritores: endometriose, nutrição e saúde da mulher, bem como endometriosis, nutrition, woman health.

ENDOMETRIOSE

A endometriose é uma patologia que tem afetado inúmeras mulheres em todo o mundo. Estima-se que 70 milhões de mulheres são acometidas pela patologia, e que a mesma tem impactado a vida da mulher em diversos âmbitos (5). Os quadros mais graves podem levar ao isolamento social, causando uma morbidade física e emocional. Para tanto, a dor física e emocional altera toda a dinâmica da sua vida, essas limitações, trazidas pelas dores, afloram sentimento de insegurança, tristeza, raiva e ansiedade (6). Dessa forma, os impactos negativos da doença acarretam na vida diária; no bem-estar físico, mental e social; na saúde geral; nas interações interpessoais; produtividade e na autoestima.

            Tendo sua causa ainda desconhecida, dados mostram que em média 2 a 10% das mulheres em idade reprodutiva sofrem de endometriose, 3% das mulheres na pós-menopausa e 40% das mulheres inférteis também são afetadas pela doença (7).  No Brasil, de acordo com os dados do Ministério da Saúde (MS) estima-se que o número de mulheres com endometriose seja mais de 7 milhões (8).

 Clinicamente, o motivo da patologia existir é devido à presença de tecido endometrial extrauterino, que responde à estimulação hormonal que pode causar uma reação inflamatória resultando em sintomas como dor pélvica crônica severa e infertilidade (9). O endométrio é todo o tecido que recobre a parede interna do útero. Durante todo o ciclo menstrual o endométrio fica mais espesso para que o óvulo que foi fecundado possa se implantar nele, não havendo fecundação, esse tecido é eliminado durante a menstruação. Porém, em algumas mulheres, esse tecido se desloca em sentido contrário, proliferando-se na cavidade abdominal e ovários, dando origem aos focos endometrióticos. Há casos em que as lesões endometrióticas atingem intestino, bexiga, ureteres, vagina e septo retovaginal, em ocasiões raras, a doença ainda pode acometer os pulmões e o pericárdio (10).

            Os sintomas da endometriose variam de acordo com a sua localização, que podem ser: dismenorreia (cólica menstrual), algia pélvica crônica (dor), infertilidade, dispareunia (dor genital durante ou após o ato sexual), alterações intestinais e urinárias cíclicas, como dor à evacuação, diarreia, disúria perimenstrual (dor durante a micção no período menstrual), polaciúria (aumento da frequência miccional), urgência miccional e hematúria (emissão de sangue através da uretra, acompanhado ou não pela urina). Sendo que, em alguns casos podem ser assintomáticos ou com sintomas de intensidade e localização diferentes, o que dependerá do grau de acometimento da doença (11).  

Quanto ao tratamento da endometriose pélvica, a European Society of Urogenital Radiology (ESUR), propôs protocolos para a padronização das interpretações dos exames e da indicação de ressonância magnética. Assim sendo, o diagnóstico da endometriose pode ser fortemente sugerido por meio de ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética (12). Ainda assim, o tratamento pode ser tanto medicamentoso, quanto cirúrgico, ou ainda a associação de ambos, antes ou após a cirurgia. 

            Entretanto, é fundamental levar em consideração fatores como a gravidade dos sintomas, o desejo de gestar, a extensão e localização da doença, a idade da paciente, os efeitos adversos dos medicamentos, as taxas de complicações cirúrgicas e seus custos (11).  Contudo, pode-se atentar quanto à mudança no estilo de vida, a qualidade alimentar exerce grande influência no desenvolvimento e prognóstico da endometriose (13), estudos demonstram a redução de dores quando se trata de alimentar-se adequadamente e assim consequentemente essas mulheres terão um aumento significativo na sua qualidade de vida.

NUTRIÇÃO COMO PROMOTOR DE SAÚDE

Alimentação e nutrição não são sinônimas, portanto alimentar-se é a ação voluntária de comer. Consumir alimentos, e não nutrientes, é atribuído ao fato da preferência no consumo de alimentos mais saborosos, mesmo que não seja o mais saudáveis. A alimentação pode ser influenciada pelas interações sociais, culturais, religiosas e familiares. Nutrir-se é o processo responsável por dar condições ao corpo para o seu perfeito funcionamento, ou seja, é ingerir alimentos que possam suprir as necessidades fisiológicas do organismo.

Na saúde da mulher a nutrição desempenha uma valiosa função desde o nascimento até a menopausa. Por isso, a utilização de terapias dietéticas readéqua os padrões do consumo de alimentos e tem a capacidade de utilizar alimentos para tratar doenças podendo alterar a exposição a substâncias deletérias, como aditivos alimentares; influenciar diretamente a composição da microbiota intestinal; e também ter uma interferência direta no funcionamento do sistema imunológico (14).

Em 1984 foi lançado o Programa de Atenção Integral de Saúde da Mulher que serviu de base para, em 2004 ser implementado a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher que veio para suprir a necessidade de atender a esta população e tinha como base promover a promoção a saúde pela prevenção, recuperação e reabilitação da saúde para que continuasse exercendo sua função na sociedade (15), haja vista o número de mulheres no Brasil ser superior ao de homens.

Dados do Ministério da Saúde (2022) (16), apontam que no ano de 2021 mais de 26,4 mil atendimentos foram feitos a mulheres com problemas causados pela endometriose no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede pública foram registradas oito mil internações. Todavia, um plano alimentar bem elaborado para promoção da saúde da mulher em vista a endometriose pode atuar como uma dieta anti-inflamatória e reduzir inflamações crônicas. A nutrição tem relação com a redução do risco do desenvolvimento da endometriose e controla, de certa forma, os sintomas clínicos de quem é portadora da doença, ou seja, a nutrição tem um papel de destaque na qualidade de vida das mulheres (17).

ASPECTOS NUTRICIONAIS RELACIONADOS À ENDOMETRIOSE

A endometriose é uma doença sofrida por muitas mulheres e, mesmo assim, ter acesso aos serviços de saúde para obter diagnóstico e tratamento, ainda é algo dificultoso para elas, tendo em vista que, utiliza-se muito do tratamento medicamentoso hormonal como, muitas vezes, a única opção disponível, podem não atingir o sucesso no tratamento e ainda ter que suportar muitos efeitos colaterais (4).

            Fatores ambientais como poluição, ansiedade, estresse, falta de atividade física contribuem para o aumento dos radicais livres circulantes no organismo, favorecendo o estresse oxidativo, que tem o papel importante na endometriose, bem como, a alimentação que, tem influência de seus nutrientes na evolução da endometriose, aconselhando-se a reeducação alimentar como mecanismo favorável na prevenção e tratamento da doença (18).

            A nutrição é responsável por estudar as diversas formas de interação entre a alimentação e necessidade metabólica necessárias para exercer as funções do organismo, podendo se destacar em três fases distintas, a alimentação que corresponde a ingestão do alimento, o metabolismo que trabalha a absorção dos nutrientes para transformação em fonte de energia para consumo e reserva e a excreção, que é o descarte do que não foi aproveitado pelo organismo (17).

            Alguns estudos evidenciaram que determinados alimentos e seus respectivos nutrientes podem influenciar na geração e evolução desta doença, em contrapartida mostrou-se que a dietoterapia pode exercer relevante controle dos sintomas e melhora do bem estar das pacientes. Segundo Yamamotho (19) em seu estudo de coorte sobre a relação do consumo de carne vermelha e peixe com a endometriose, constatou-se que, as mulheres apresentaram um aumento de risco à endometriose de 56% ao consumir mais que duas porções de carne por dia, comparando com outras que consumiam somente uma porção/dia, contudo sobre os alimentos provenientes do mar, como peixes e mariscos, não puderam ser evidenciadas relações com o aumento dos riscos.

            Sobre o consumo de frutas e vegetais, o que pode tornar uma alimentação mais saudável, Harris (20) realizou um estudo de suas associações à ocorrência da endometriose em mulheres em estado pré-menopausa, e constou-se que as frutas críticas apresentam vitamina A, o que contribui em 22% para a diminuição ao risco de desenvolver a endometriose. Já em relação aos vegetais como couve e repolho, além do feijão, milho e ervilha podem aumentar em 13% os riscos para a doença.

            O leite, mais especificamente seus derivados, foram estudados em relação aos seus consumos durante a adolescência, por Nodler (21) que concluiu que as mulheres que consumiram mais de quatro porções/dia de laticínios ao longo de suas adolescências apresentaram um percentual menor de riscos para a endometriose, que foram constatados por exames na fase adulta, isto em comparação com outras mulheres que realizavam menor consumo de alimentos derivados do leite. Para o iogurte, um pequeno percentual de riscos foi evidenciado, ou seja, para àquelas que consumiam cerca de duas ou mais porções por semana, na adolescência, apresentaram 29% menos riscos, em comparação com as que consumiam menor quantidade com a mesma frequência. Para o sorvete, que é muito consumido por adolescentes, obtiveram uma resposta de 38% menor de risco de endometriose em mulheres que o consumiram, pelo menos uma porção por dia durante a adolescência, comparadas as que consumiam menor quantidade e na mesma frequência.

            Neste contexto, pode-se citar também o ômega-3 e o ômega-6 com características favoráveis para o alívio de sintomas, como a dor pélvica, podendo também reduzir a inflamação causada. Os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 são tipos de ácidos graxos poli-insaturados que podem ser encontrados em um mesmo alimento com concentrações diferentes, desta forma deve-se atentar ao controle do consumo, reforçando o ômega-3 e abrandar o ômega-6 (22).

            As vitaminas A, C, E possuem elementos antioxidantes que corroboram para melhorar o estado inflamatório, sugere-se nestes casos aumentar o consumo de alimentos como bife de fígado, batata doce, manga, acerola, laranja, caju, milho, amêndoa, entre outros ricos nestes micronutrientes citados. Entretanto, não se deve abusar de alimentos ricos em betacaroteno, vegetais e frutas com coloração alaranjada ou verde-escuro, pois podem potencializar os riscos à endometriose, assim como sugere-se evitar o consumo de glúten, presente em alimentos como trigo, cevada, aveia (23).

            O ácido ascórbico, mais conhecido como vitamina C, é um micronutriente com potencial antioxidante que não somente age na doença do escorbuto, mas também pode exercer papel importante para prevenir doenças com seu poder anti-inflamatório e angiogênico, tendo sua deficiência no organismo também associada a origem da Síndrome da Fadiga Crônica caracterizando um sintoma constantemente apresentados pelas mulheres com endometriose, neste sentido vale a atenção a sua suplementação (24).    A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel que encontra-se naturalmente em peixes com gorduras, como atum e salmão, bife de fígado, gema do ovo, queijo, cogumelo e leite. É uma vitamina que apresenta suas ações no metabolismo dos ossos do corpo humano e nas células do sistema de imunidade, cerca de somente 20% desta vitamina é obtida através da dieta e 80% pela síntese por meio da pele à exposição ao sol (25).          Segundo Lee (26) a vitamina E  sendo um antioxidante solúvel em gordura, com sugestão de ingestão diária de 15mg por mulheres acima de 14 anos de idade, tem importante papel no sistema imunológico e de prevenção ou capacidade de amenizar as disfunções deste sistema. Sua forma de obtenção por meio da alimentação pode ser pela ingestão de óleos vegetais, sementes, frutas e vegetais, caroço de algodão, nozes, sendo esta, considerada uma excelente fonte da vitamina. Contudo, embora efeitos importantes tenham sido evidenciados em pacientes com endometriose, mais pesquisas fazem-se necessárias para apurar sua ação na causa da doença.

            Sobre o zinco, que apresenta resposta reativa aos radicais livres e envolvimento nas respostas ao estresse oxidativo, respostas imunológicas e regulação da expressão gênica, seu acúmulo ou deficiência pode interferir nas funções e agir na degeneração das células, desta forma o consumo de alimentos fontes deste mineral pode responder de forma positiva a essas possibilidades que influenciam na doença, sejam eles carne vermelha, feijão, laticínios, peixes e frutos do mar, como ostras, caranguejo e lagosta (24).

            O resveratrol assim como a curcumina possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que atuam em diferentes células, até mesmo nas células do endométrio, auxiliando no tratamento da endometriose. A curcumina é uma substância derivada da cúrcuma, um vegetal da família do gengibre, de origem indiana, o resveratrol é um composto vegetal encontrado na casca e semente da uva, além de ser também encontrada no vinho, eucalipto, chá verde e frutas vermelhas (24).

            Os alimentos ricos em propriedades antioxidades e anti-inflamatórias podem contribuir para o tratamento dos sintomas da endometriose, sendo assim, os alimentos funcionais podem, assim, promover melhora no bem-estar das acometidas por esta doença (24). Na figura 1, podem ser observados alguns alimentos e suas devidas propriedades funcionais.

Fonte: Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN, 2018

O consumo de gorduras de origem animal, em especial as derivadas de carnes vermelhas, podem potencializar os riscos ao desenvolvimento da endometriose, porém as frutas e vegetais variados, assim como, manter as vitaminas D, E, ômega-3 e o zinco em níveis normais assumem o papel de amenizar os sintomas e a progressão da doença. Uma dieta balanceada e variada são mecanismos de tratamento juntamente com uma conduta clínica, medicamentosa, hormonal e cirúrgica (25).

CONCLUSÃO

A alimentação assim como os fármacos pode ter uma interferência direta no desenvolvimento da endometriose. Alguns alimentos possuem benefícios para a prevenção e auxiliam no tratamento, sendo importante ficar atento aos fatores ambientais, pois eles devem ser trabalhados conjuntamente para que as benesses contra a doença surjam, como adoção de prática de atividade física e alimentação adequada, com alimentos ricos em ômega-3, vitaminas, minerais.

Contudo, vale ressaltar que alguns outros alimentos, como carne vermelha, aves, peixes e frutos do mar estão associados ao aumento dos riscos da endometriose. Mas considerando as intervenções que a alimentação pode ter para os riscos e melhorias da doença, é percebido que o profissional nutricionista tem papel importante para auxiliar essas mulheres acometidas por esta doença, bem como, mais estudos precisam ser realizados para identificação das vantagens e desvantagens da nutrição no combate à endometriose.

REFERÊNCIAS

  1. Ministério da Saúde (BR). Política nacional de atenção integral à saúde da mulher: princípios e diretrizes. Série C. Projetos, Programas e Relatórios. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2004.
  2. Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. Apresentação – Saúde Mulher. Mato Grosso do Sul (MS): Secretaria de Estado de Saúde. [acesso em 25 Mar 2022]. Disponível em: https://www.as.saude.ms.gov.br/atencao-basica/saude-da-mulher/apresentacao-saude-mulher/
  3. Liu, James H. Manual MSD. Versão para profissionais de saúde. Endometriose. Kenilworth (USA): 2020. [acesso em 25 mar 2022]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/endometriose/endometriose
  4. Neto, Paulo P. S. et. al Benefícios da alimentação em portadoras de endometriose. SEMPESq – Semana de Pesquisa da Unit, 18 ago 2020.
  5. São Bento PA de S, Moreira MCN. A experiência de adoecimento de mulheres com endometriose: narrativas sobre violência institucional. Ciência & Saúde Coletiva. 2017 Sep;22(9):3023–32
  6. Donatti L, Ramos DG, Andres M de P, Passman LJ, Podgaec S. Patients with endometriosis using positive coping strategies have less depression, stress and pelvic pain. Einstein (São Paulo). 2017 Mar;15(1):65–70.
  7. Borghese B, Zondervan KT, Abrao MS, Chapron C, Vaiman D. Recent insights on the genetics and epigenetics of endometriosis. Clinical Genetics. 2016 Nov 30;91(2):254–64. 
  8. Souza LG, Angélica Mascarenhas de Almeida Barros, Mariana Rodrigues Souza Monteiro. A importância do CA-125 para o diagnóstico precoce da endometriose. Revista de Patologia do Tocantins. 2020 Jun 27;7(1):66–70.
  9. Tomás C, Metello J, Garcia H. Endometriosis and infertility -where are we? Endometriose e infertilidade -onde estamos? [Internet]. [cited 2022 Apr 10]. Available from: http://www.fspog.com/fotos/editor2/08-ar_19-00026.pdf
  1. Ramos ÉLDA, Soeiro VM da S, Rios CTF. Mulheres convivendo com endometriose: percepções sobre a doença. Ciência & Saúde. 2018 Oct 17;11(3):190.
  2. Nogueira ACR, et al. Tratamento da endometriose pélvica: uma revisão sistemática. Revista Científica UNIFAGOC-Saúde, 2018; 3(2): 38-43.
  3. Bazot M, Bharwani N, Huchon C, Kinkel K, Cunha TM, Guerra A, et al. European society of urogenital radiology (ESUR) guidelines: MR imaging of pelvic endometriosis. European Radiology. 2016 Dec 5;27(7):2765–75.
  4. Jurkiewicz-Przondziono,  J., Lemm, M., Kwiatkowska-Pamuła, A., Ziółko, E.,  & Wójtowicz, M. K. (2017). Influence of diet on the risk of developing endometriosis. Ginekologia Polska, 88(2), 96-102.
  5.  Pidde, A. G.; Vitória, G. U.; Siqueira, M. P. S.; Dutra, P. V. C.; Alves, P. H. G.; Sugita, D. M. Dietoterapia como alternativa clínica e seus efeitos. RESU – Revista Educação em Saúde: v. 7, suplemento 1,2019.
  6. Araújo, G. B.; Afonso, T. O.; Apolinário, J. M. S. S.; Silva, M. P. B.; Barbosa, L. S. The theme “Women’s Health” in the Brazilian Journal of Obesity, Nutrition and Weight Loss: Analysis of a decade (2010-2020). Research, Society and Development, v. 10, n. 10, e561101019097, 2021.
  7. Martins, F. Ministério da Saúde. Endometriose: uma a cada 10 mulheres sofre com os sintomas. 2022. Acesso em 01 de abril de 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/marco/endometriose-uma-a-cada-10-mulheres-sofre-com-os-sintomas
  8. Chalub, Juliana P.; Leão, Natânia S. C.; Maynard, Dayanne C. Investigação sobre os aspectos nutricionais relacionados à endometriose. Research, Society and Development. V. 9, n. 11, 2020.
  9. Porfírio, G. P., et al. O papel da dieta na etiologia da endometriose. Braspen J; 32(2): 183-188, abr.-jun. 2017.
  10. Yamamoto A., Harris HR., Vitonis AF., Chavarro JE., Missmer SA. A prospective cohort study of meat and fish consumption and endometriosis risk. Am J Obstet Gynecol. 2018 Ago.
  11. Harris HR, Eke AC, Chavarro JE, Missmer SA. Fruit and vegetable consumption and risk of endometriosis. Hum Reprod. 2018 Apr 1;33(4):715-727.
  12. Nodler JL, Harris HR, Chavarro JE, Frazier AL, Missmer SA. Dairy consumption during adolescence and endometriosis risk. Am J Obstet Gynecol. 2020 Mar;222(3):257.e1-257.e16.
  13. Benjamim, Cicero J. R.; Alcantara, Guilherme Correia; Novais, Palloma L. C.; Lopes, Janeanne N. S.; Rocha, Elida M. B. O consumo de ômega-3 e 6 e sua relação com doenças crônicas não transmissíveis. 2019. Rev. E-ciência, v. 6, n. 2, p. 114-120.
  14. Camargo, Bruna B. A influência dos fatores dietéticos na endometriose. Centro Universitário UNIFACIG – Manhaçu, 2019.
  15. Gonçalves, Dryele S.; Silva, Yone da; Neves, Carlos Eduardo da; Marinho-Carvalho, Mônica M. Influência da Nutrição em Mulheres com Endometriose: revisão de literatura. Ano 06, Ed. 06, Vol. 17, pp. 73-108. Junho de 2021.
  16. Bahat, Pinar Y.; Ayhan, Isil; Ozdemir, Eda U.; Inceboz, Ümit; Oral, Engin. Dietary supplements for treatment of endometriosis: a review. Acta Biomed. 2021. v. 93, n. 1.
  17. LEE, Ga. Young.; HAN, Sung. Nim. The Role of Vitamin E in Immunity. Nutrients,[s.l.], 2018, v. 10, 11th ed. p. 1614.

Fundada em 2020, a Agron tem como missão ajudar profissionais a terem experiências imersivas em ciência e tecnologia dos alimentos por meio de cursos e eventos, além das barreiras geográficas e sociais.

Leave A Reply