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NOVEMBRO AZUL: A INTERFACE DA ATENÇÃO BÁSICA E A SAÚDE DO HOMEM

Capítulo de livro publicado no livro: Tecendo cuidados e semeando saúde: experiências e relatos inspiradores de atenção primária. Para acessa-lo  clique aqui.

DOI: https://doi.org/10.53934/9786599965838-11

Este trabalho foi escrito por:

Pedro Vinicius Alves Bezerra César;  Thaís Lídice Araújo Ferreira  Gabrielle de Lima Maniçoba; Bianca Joyce Souza Dantas; Jaisllany Maria Almeida Teófilo; Larissa de Medeiros Santos; Rômulo Valério  Marinho Lima; Tallita Rayane Ferreira Carvalho; Janaína Araújo Batista; Adson Albuquerque Silva do Nascimento; Gracielle Malheiro dos Santos; Heloisy Alves de Medeiros Leano; Ana Cristina Silveira Martins

RESUMO

Introdução: A saúde do homem é uma das prioridades da saúde pública, em prol da melhoria das condições físicas e mentais. No entanto, há fragilidades quanto a procura do homem pelo serviço de saúde, pois ainda existe uma resistência por parte desse público. Diante disso, no mês de outubro a campanha “novembro azul” tem como premissa, aproximar esse público para seu autocuidado. Objetivo: Desta forma, este relato tem por objetivo expor as ações desenvolvidas no mês de novembro pela equipe do PET-Saúde. Metodologia: As ações foram desenvolvidas em novembro de 2022 na Unidade Básica de Saúde Diomedes Lucas de Carvalho e na biblioteca do Centro de Educação e Saúde (CES), nas quais utilizou-se ferramentas didático pedagógica para o maior entendimento do público alvo, tais como placas de trânsito, roda de conversa e demonstração de como deve se proceder a higiene íntima de forma adequada. Resultados: No decorrer das ações, foi possível observar a importância de abordar a temática em questão, uma vez que a maior presença dos homens na atenção primária é necessária para consolidar o modelo preventivista. Conclusão: Logo, é evidente a grande necessidade de educação permanente e continuada, assim como o acolhimento e a escuta de qualidade com os usuários do sexo masculino, para que esses indivíduos se sintam seguro no espaço de atenção básica.

Palavras–chave: saúde do homem, PET-saúde, alcance, UBSF.

INTRODUÇÃO

A saúde do homem teve bastantes avanços nas últimas décadas, no entanto ainda não foi o suficiente para cumprir a necessidade de integração desse grupo na atenção primária, visto que os homens se sentem responsáveis pelo seu próprio cuidado, criando assim uma barreira para a procura e contato frequente com os serviços de saúde (1). 

Desde da década de 80 o estudo sobre a saúde do homem se concentrava apenas em sexualidade e saúde reprodutiva. No entanto, na década de 90 começou-se a estudar uma visão mais integralista da saúde do homem e foram-se estruturando e consolidando políticas de saúde pública direcionadas (2). Aproximadamente 49% da população brasileira é composta por homens. Desses, a maioria estão na faixa entre 20 e 59 anos. Entre os mais jovens (20 a 39 anos) as principais causas de morbidade e mortalidade eram doenças infecciosas e parasitárias. Enquanto na faixa dos 40 aos 59 anos as principais causas registradas foram doenças do aparelho circulatório e neoplasias (3).

Desta forma, é evidente a necessidade de promover ações de saúde e educação em saúde com foco no público masculino, e a partir disso, é importante destacar a política nacional de atenção integral à saúde do homem (PNAISH), que se baseia em cinco principais eixos: paternidade e cuidado, acesso e acolhimento, doenças prevalentes na população masculina, prevenção da violência e acidentes e saúde sexual e reprodutiva. Baseando-se assim nos principais problemas atuais em relação à mortalidade masculina entre 20 a 59 anos podemos citar causas externas ligado a agressão ou acidentes, doenças no aparelho circulatório, neoplasias e doenças no aparelho respiratório (4).

Nesse sentido, a promoção da saúde do homem é um movimento global em prol da melhoria das condições físicas e mentais do homem. No Brasil, no mês de novembro ocorre o novembro azul, período de conscientização do cuidado integral do homem que vai além do câncer de próstata, abordando também saúde mental, infecções sexualmente transmissíveis (IST), doenças crônicas entre outros que são de importância para o público alvo da campanha (5).

Colocando em prática o seu papel de integralização dos estudantes com pacientes das UBS, e promoção de ações relevantes com a comunidade, o PET-saúde se atentou às necessidades da população masculina que frequentam a UBS Diomedes, trazendo esses assuntos citados de forma que chamasse a atenção deles e mudasse positivamente o cuidado que eles têm com a própria saúde. Dessa forma, o presente relato tem por objetivo expor as atividades desenvolvidas.

METODOLOGIA

O Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde (PET-saúde) junto com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Diomedes, desenvolveram durante o mês de novembro de 2022 atividades em prol da saúde do homem, tanto nos espaços da própria universidade, como também nos espaços da UBSF.

Abordou-se nas ações temas relevantes e pertinentes à saúde do homem, como câncer de próstata, educação sexual, higiene íntima, alcoolismo e alimentação saudável. Assim, houve explicação para a população local, de forma prática, sobre a política nacional de saúde do homem, de forma interativa induzindo os homens a tirarem suas dúvidas, além de momentos de descontração para os presentes.    

Para as atividades desenvolvidas durante a ação da biblioteca do CES/ UFCG (Figura 1) utilizou os seguintes materiais: Cartazes com sinais de trânsito; folders; pirulitos; cadeiras e balões. Nessa ação, a metodologia que foi utilizada, propôs uma dinâmica realizada com figuras de sinais de trânsito, as quais traziam uma mensagem sobre saúde relacionada a cada cor. Funcionou da seguinte forma: Sinal vermelho – “Pare, e se cuide!”, sinal amarelo – “Preste atenção no seu corpo”, sinal verde – “Siga com hábitos saudáveis”.

Dessa forma, incentivando-os ao autocuidado e a darem a atenção necessária ao próprio corpo. Também foram explícitas as temáticas sobre autocuidado, higiene íntima, e doenças relacionadas aos homens.

Já para ação desenvolvida na UBS utilizou-se os seguintes materiais: folders; pirulitos; balões; cadeiras; objetos de demonstração; EVA; lanches; brindes; microfone e caixa de som (Figura 2).

A ação começou com uma fala da médica da UBS, para os homens que estiveram presentes na ação da UBS, na qual ela os alertou sobre os novos casos de covid-19 que vinham aparecendo e para que se protegessem. Logo após, os alunos do Pet-Saúde e estagiários que concretizaram a ação, dialogam sobre a higiene íntima, câncer de próstata, casos de amputação e autocuidado.

Em seguida, explicou-se para os usuários de forma didática a necessidade e importância do autocuidado, tendo assim a principal finalidade de instruir as pessoas presentes que responderam ou participaram de toda ação organizada pela equipe multidisciplinar formada por os alunos.

Durante a ação foram realizadas algumas perguntas aos que estavam presentes, para dinamizar sobre os assuntos que foram abordados. Após isso, ocorreu a distribuição de folders informativos, sorteios de brindes e coffee break.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As atividades ocorreram no dia 22 de novembro de 2022, no turno da tarde na biblioteca (Figura 3) e no horário noturno na Unidade Diomedes Lucas Carvalho (Figura 4). Nessa ação, além de homens, também estavam presentes mulheres.

No Brasil, estima-se que cerca de 48,9% da população em 2021 era masculina (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2021, e ainda assim esses usuários correspondem a uma pequena parte de pessoas que procuram a atenção básica. Foi observado isso no primeiro evento na biblioteca do Centro de Educação e Saúde (CES), em que, a maioria que estavam presentes era do sexo feminino e com poucos homens no local, já na UBSF Diomedes Lucas de Carvalho observou-se uma maior quantidade de homens, mas ainda assim inferior ao quantitativo observado em ações anteriores, como, quando comparado ao outubro Rosa que aconteceu na mesma unidade em meses diferentes (6).

Tanto na UBSF como na Biblioteca do CES optou-se por um ambiente mais neutro para que de certa forma pudesse atrair a presença do público masculino, utilizando uma abordagem considerada inovadora em que sua decoração era composta de automóveis, placas de trânsito e símbolos de grupos marcantes para saúde masculina, isso colaborou na dinâmica de trânsito e vida saudável.

Por vivermos em uma sociedade ainda pautada em sua saúde no modelo biomédico onde o indivíduo é visto pela ótica da doença, as vezes dificultamos o cuidado integralista e afastamos mais ainda os indivíduos do sexo masculino, uma vez que não se tende a problematizar a masculinidade, dificultando assim criação de políticas em saúde para homens, que por muitas vezes não são vistas como um objeto relevante de estudo e ainda contribuindo para o não reconhecimento da vulnerabilidade do público masculino (1).

É evidente que a unidade de saúde da família é porta de entrada para os usuários do sistema de Saúde, podendo considerá-la como eficaz e resolutiva. Mas quando se observa os indicadores de saúde, é explícito que ainda assim, há poucos homens à procura. Com isso, quando observamos em uma visão macro sobre indicadores de saúde do sexo masculino nos deparamos com doenças no aparelho circulatório, cardiovasculares e neoplasias malignas (7), que por muitas vezes poderia ter sido evitada se esses homens tivessem um acompanhamento especializado com foco na atenção básica e educação em saúde.

Entende-se que os fatores socioeconômicos da família são um campo de análise quando conhecemos as divisões básicas dela. Mesmo com o avanço das mulheres no mercado de trabalho, ainda muitos homens são culturalmente vistos como o provedor da renda, acarretando por diversas vezes em uma jornada de trabalho incompatível com os horários de funcionamento da UBSF (8). Tal fator foi observado na unidade básica de saúde em questão, em que, muitos homens conseguem ir nos dias de atendimento da saúde do trabalhador que acontece uma vez por semana (no horário noturno). Desta forma, observa-se que o percentual do público masculino é maior quando comparado aos atendimentos durante o dia.

Foi relatado também por alguns homens presentes, que os mesmos, não sentem a necessidade de ir ao atendimento básico sem ter um grande agravo, como pode-se citar, que muitos homens só procuram o atendimento odontológico quando estão em estado crítico, levando muitas vezes à perda dentária. Esse relato corrobora com o estudo de Vieira et al., 2022 (9), em que elencaram alguns motivos que faziam os homens não procurarem os serviços de saúde que podemos citar a falta de sintomas aparente, não sentir necessidade do atendimento, dificuldade de expor seu corpo a um profissional, medo de descobrir alguma doença grave e a própria dificuldade do autocuidado.

Na ação do novembro azul na UBSF teve-se a presença de público alvo da campanha como já relatado, para essa ação foi lançado um convite onde se intitulava “Precisamos tocar nesse assunto” (Figura 5), nesse momento aconteceu trocas de saberes dos profissionais de saúde da UBSF, e da equipe do PET-SAÚDE GT1 – Gestão e Assistência, além de estagiários e estudantes de saúde do CES/ UFCG. Apesar das dificuldades encontradas para a implementação da saúde do homem, é visto em ações como essas que algumas metas estão sendo atingidas, visto que o público entende que existe uma política voltada especificamente para eles, trazendo uma sensação de pertencimento (relato de usuário).

CONCLUSÕES

Diante do observado nas ações desenvolvidas durante o Novembro Azul, denota-se que ainda é necessário um grande trabalho de educação em saúde com o público masculina para que se possa ter um maior número destes dentro dos serviços de saúde. Para isso, o PET – saúde vem trabalhando junto a Unidade Básica de Saúde da Família Diomedes para que isso se torne uma realidade, e cada vez mais os homens da região estejam presentes e buscando por sua saúde e bem estar.

O qual é um grande objetivo a ser alcançado, visando que quanto mais se aprende sobre saúde e cuidados, mas há o interesse de cuidar de si mesmo, e além de interesse, a população sente-se vista e importante. O que faz com que estejam presentes em ações proporcionadas em suas respectivas UBS e comunidade, assim realizando um convívio social e estando próximos aos profissionais da saúde, pessoas essas que podem ter um olhar técnico à situação de cada um, e além disso, o mais importante, um olhar empático e humano sobre cada paciente, podendo ouvi-lo de verdade.

Como participantes do programa de educação tutorial, essas são experiências ricas, nas quais nos fazem adentrar na realidade do funcionamento das UBS, assim como também na realidade em que se encontra a população, contribuindo para o desenvolvimento, pelo aluno e profissional de saúde, do pensamento crítico, criativo, voltado para a construção de estratégias resolutivas para as mais diversas problematizações apresentadas pela prática do cuidado em Saúde, de modo a alcançar metas e obter melhores resultados para profissionais e usuários.

Assim, fica clara a união positiva entre o PET-saúde, UBS e comunidade. Para o PET-saúde enquanto projeto que vem alcançando resultados e metas, para nós enquanto alunos e futuros profissionais, que estamos desfrutando da oportunidade de estar frente a frente com a realidade que estaremos lidando futuramente, e assim aprendendo a como articular cada situação, e principalmente, é uma união muito positiva para a comunidade, que recebe nossa atenção, nossas ações e promoção à saúde, pensadas para eles, fazendo com sintam-se especiais.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos coordenadores, tutores e preceptores do PET saúde, os quais nos direcionaram até aqui. Agradecemos grandemente a todos que compõem a unidade básica de saúde Diomedes Lucas Carvalho, que nos abriu as portas e nos deu oportunidade de conhecer sua realidade e necessidade, e assim podermos pensar em possíveis soluções. Nossa gratidão também a biblioteca dos Centro de Educação e Saúde (CES), da Universidade Federal De Campina Grande – campus Cuité. Fazemos também um agradecimento importante a essa população que nos deu espaço para conversarmos um pouco sobre a saúde do homem.

REFERÊNCIAS

1-Storino Luisa, Silva Kênia. Necessidades de saúde de homens na atenção básica: acolhimento e vínculo como potencializadores da integralidade. Escola Ana Nery: Revista de Enfermagem. 2013 Dec 13:1-6.

2-  Alves, Fábia Pottes Saúde do homem: ações integradas na atenção básica / Fábia Pottes Alves – Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2016.

Disponível em:

https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/9259/1/livro_saude_homem.pdf

3- Eduardo Schwarz; Romeu Gomes; Márcia Thereza Couto; Erly Catarina de Moura; Sarah de Araújo Carvalho; Simone Fátima Cesar Da Silva. Política de saúde do homem. 2012; pp. 1-9 [ Acesso em 20 fevereiro 2023]

Disponível em:

https://www.scielo.br/j/rsp/a/jX7KnKnRcH5rP5qK8cYLKzn/?format=pdf&lang=pt

4 – Ministério da saúde gov.br. Saúde do homem. 2022. [ Acesso 17 janeiro 2023]

Disponível em:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-do-homem

5 – Instituto nacional de câncer. Política nacional de saúde do homem em destaque. 2023 [acesso 18 janeiro 2023]

disponível em:

https://www.inca.gov.br/noticias/politica-nacional-saude-homem-em-destaque

6 -Ibge – Ibge educa jovens; Quantidade de homens e mulheres; 2021

[Acesso em 20 de Janeiro de 2023].

disponível em:

https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html/

7 –  Priscila Henrique Bueno dos Santos; Keli Regina Dal Prá. A invisibilidade da saúde do homem nos serviços de atenção primária à saúde no Brasil. 2015;pp. 27-29. [Acesso 18 janeiro 2023].

Disponível em:

https://seminarioservicosocial.paginas.ufsc.br/files/2017/05/Eixo_3_084.pdf

8 –  Bernardi, Adriana; Almeida, Alessandra Miranda; Gomes, Roseli; Almeida, Tayne Paula; Oliveira, Kenia Dos Santos. Assistência À Saúde Do Homem Na Atenção Básica: Dificuldades Evidenciadas Pelos Usuários. 2017; Pp. 11-12 [ Acesso 18 Janeiro 2023] Disponível Em: Assistência A Saúde Do Homem Na Atenção Básica Https://Www.Repositoriodigital.Univag.Com.Br › Enf

9 –  Vieira, Katiucia Letiele Duarte et al. Atendimento da população masculina em unidade básica saúde da família: motivos para a (não) procura. Escola Anna Nery [online]. 2013, v. 17, n. 1 [Acessado em 22 janeiro 2023], pp. 120-127.

Disponível em:

https://www.scielo.br/j/ean/a/qDhzcFKp6jY3t3znGcm8fBp/?lang=pt#

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