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Trabalhos publicados como capítulo de livro pela editora Agron Food Academy

ATIVIDADES PRÁTICAS DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA CLÍNICA CIRÚRGICA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO LAURO WANDERLEY EM JOÃO PESSOA – PB: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Ruana Rafaela de Souza Gomes1; Isabelle de Lima Brito Polari2; Kataryne Árabe Rimá de Oliveira3

1Estudante do Curso técnico em Nutrição e Dietética – CAVN-CCHSA-UFPB, E-mail: [email protected];2 Docente do Departamento de Gestão Agroindustrial – CCHSA –UFPB. E-mail: [email protected]; 3 Pós-doutoranda em Ciências da Nutrição – DN – CCS – UFPB.E-mail: [email protected].

Resumo: O Técnico em Nutrição e Dietética (TND) é um profissional da área da saúde que divide com o nutricionista a responsabilidade de promover, manter e recuperar a saúde de indivíduos ou coletividades, através de atividades relacionadas à alimentação e à nutrição. Durante sua formação, além das aulas teóricas e práticas, é obrigatória a realização de estágios supervisionados nas diferentes áreas de atuação. Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi apresentar de forma descritiva todas as atividades realizadas durante o estágio em nutrição clínica do TND. No período do estágio, realizado na clínica cirúrgica do Hospital Universitário Lauro Wanderley em João Pessoa-PB, foi solicitada a atualização da orientação nutricional para pacientes que realizavam os procedimentos cirúrgicos de colostomia ou ileostomia, pois dentre todas as prescrições, essa encontrava-se muito antiga. Também foi possível elaborar um folheto contendo informações sobre nutrientes que são essenciais para o pós-cirúrgico, com a distribuição para os pacientes internos, ficando o arquivo anexado na clínica para a nutricionista apresentar, sempre que necessário. Nesse contexto, a concretização do estágio na área nutrição clínica proporcionou experiências importantes para a formação profissional, possibilitando a execução na prática de vários conhecimentos teóricos adquiridos no decorrer do curso.

Palavras–chave: Hospital universitário; material didático; orientação nutricional.

INTRODUÇÃO

O Técnico em Nutrição e Dietética (TND) é um profissional da área da saúde que divide com o nutricionista a responsabilidade de promover, manter e recuperar a saúde de indivíduos ou coletividades, em todas as fases da vida, através de atividades relacionadas à alimentação e à nutrição. Sua habilitação é realizada através de cursos técnicos reconhecidos pelo Ministério da Educação, que devem atender aos critérios da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e estar adequados aos Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnico (NUTMED, 2018).

O curso TND tem duração média de até dois anos e o exercício da profissão é permitido exclusivamente aos inscritos nos Conselhos Regionais de Nutricionistas. Com base na Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas Nº 605/2018, esse profissional apresenta como áreas de atuação a Nutrição em Alimentação Coletiva; Nutrição Clínica; Nutrição em Saúde Coletiva; Nutrição na Cadeia de Produção, na Indústria e no Comércio de Alimentos (BRASIL, 2018), e tem seus direitos instituídos pelo Código de Ética do TND (Resolução CFN n° 227/1999, complementada pela resolução n° 333/2004).

Dentre os principais locais de trabalho, o TND pode atuar em serviços de alimentação coletiva (autogestão e concessão) em empresas e instituições, hotéis, hotelaria marítima, comissárias, hospitais, clínicas, bancos de sangue, spas, serviços de terapia renal substitutiva, Instituições de Longa Permanência para Idosos e similares, comunidades terapêuticas e outros, em alimentação escolar em rede privada de ensino, restaurantes comerciais e similares, bufê de eventos e serviço ambulante de alimentação. Ainda, junto a Saúde Coletiva, também pode participar de Políticas e Programas Institucionais, Vigilância em Saúde e Fiscalização da Profissão (BRASIL, 2018).

Como atribuições, este profissional pode vir a contribuir com a elaboração de cardápios, verificando o seu cumprimento; do Manual de Boas Práticas e Procedimentos Operacionais Padronizados (POP), acompanhando sua implantação e execução; acompanhar e monitorar as atividades da produção de refeições; elaborar relatórios sobre o tipo e a quantidade de refeições a serem fornecidas; coletar dados antropométricos para subsidiar a avaliação nutricional a ser realizada pelo nutricionista, dentre outros (BRASIL, 2018).

Importante destacar que o TND poderá atuar sem a supervisão do nutricionista na área de Nutrição na Cadeia de Produção, na Indústria e no Comércio de Alimentos, desde que não haja preparações, refeições e/ou dietas especiais, para indivíduos ou coletividades, qualquer que seja o processo de preparo, conservação e distribuição, e que não exista a previsão legal para a obrigatoriedade do Nutricionista (BRASIL, 2018).

Durante a formação do TND, além das aulas teóricas e práticas, é obrigatória a realização de estágios supervisionados nas diferentes áreas de atuação. Segundo Novo, (2015) o estágio é um dos momentos mais importantes para a formação profissional. É nesse momento que o futuro profissional tem oportunidade de entrar em contato direto com a realidade na qual será inserido, além de concretizar pressupostos teóricos adquiridos pela observação de determinadas práticas específicas e do diálogo com profissionais mais experientes. Para os estudantes o estágio supervisionado é sinônimo de um futuro profissional promissor e de sucesso.

Assim, a finalidade dos estágios é dar oportunidade de ampliar conhecimentos, aprimorar e/ou crescer, competências e comportamentos necessários para o bom desempenho profissional, aprendizados que contribuam para um pertinente relacionamento entre pessoas e uma participação atuante na sociedade (NOVO, 2015). Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi apresentar de forma descritiva todas as atividades realizadas durante o estágio supervisionado em Unidade de Nutrição e Dietética.

MATERIAL E MÉTODOS

O estágio de nutrição clínica/Unidade de Nutrição e Dietética (UND) foi realizado na clínica cirúrgica do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), localizado no Jardim Cidade Universitária, S/N, Campus I – UFPB – Castelo Branco, João Pessoa – PB, sob a supervisão da nutricionista do setor e coordenadora da área de nutrição e dietética, durante o período de 22 de maio a 06 de junho de 2019. As atividades foram realizadas semanalmente de quartas às sextas-feiras, das 07:00h às 13:00h, com carga horária total de 60 horas, sendo 12 destas destinadas a planejamentos, orientações e reuniões.

Dentre os hospitais universitários cadastrados no Ministério da Educação, o HULW ocupa posição de destaque por sua atuação na área de ensino e assistência. Caracteriza-se por ser um hospital de ensino de porte médio, referência para diversas especialidades médicas do Estado.

RELATO DE EXPERIÊNCIA

O HULW era formado por várias áreas de atendimento incluindo: Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto e pediátrica/neonatal; Obstetrícia e maternidade; Pediatria; Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias – DIP; Clínica Cirúrgica; e Clínicas Médicas (Ala A e Ala B). Dentre essas, durante o período do estágio, foi possível desenvolver atividades apenas na clínica cirúrgica, caracterizada como o setor responsável pela assistência especializada aos pacientes que passavam por intervenções cirúrgicas, sendo as mais observadas: bariátrica, colecistectomia (remoção da vesícula biliar), cistolitotomia (remoção de cálculo vesical da bexiga), ostomias (colostomia ou ileostomia) e cirurgias oncológicas de colangiocarcinoma, ou outros tipos de tumores da região abdominal.

Durante os dias do estágio foram executadas as atividades de rotina junto com a nutricionista da clínica cirúrgica. Inicialmente era realizada a atualização do mapa de acompanhamento nutricional, com base no quadro descritivo do mapa da clínica, observando as altas e admissões. Em seguida procurava-se obter as informações sobre as atualizações das prescrições médicas com pessoal da enfermagem ou no próprio prontuário do paciente. Apenas eram realizadas as liberações das dietas (principalmente para os pacientes admitidos), quando os médicos realizavam as prescrições adequadas.

 Depois de realizadas as atualizações do mapa de acompanhamento nutricional, essas eram transferidas para o mapa da copeira, em horário que antecedesse a distribuição das refeições, para poder registrar as alterações das dietas.  Juntamente com as atualizações também era executada a contagem das diferentes dietas a serem distribuídas na clínica e os dados eram anotados em um formulário específico.

Dentro da rotina, também era realizada a visita aos leitos, nas quais se identificava questões como aceitação da dieta, funcionamento intestinal e se existia algum alimento do cardápio que não agradava. Essas informações eram consideradas para realização dos ajustes na conduta dietoterápica. Ainda, foi possível acompanhar o momento da distribuição do lanche da manhã e do almoço pela copeira.

Dentre os diversos pacientes que foram visitados durante o estágio, um caso mereceu destaque, pois foi possível realizar uma intervenção mais detalhada: Triagem realizada em uma paciente idosa com 72 anos, em processo pré-operatório de retossigmoidectomia por adenocarcinoma em colón ascendente. Nesse tipo de cirurgia retira-se o sigmóide e os linfonodos regionais e realiza-se a união do cólon esquerdo/ descendente ao reto. Essa triagem foi utilizando a Mini Avaliação Nutricional para Idoso, onde constatou-se que a paciente estava sob risco de desnutrição, necessitando de um acompanhamento mais especializado, pois estava-se também cogitando a possibilidade de um tratamento quimioterápico.

A principal contribuição solicitada pela nutricionista, após uma conversa sobre o tema, foi à atualização da orientação nutricional para pacientes que realizavam os procedimentos cirúrgicos de colostomia ou ileostomia (formação de um orifício externo do sistema digestório para eliminação de fezes ou secreções), pois dentre todas as prescrições, essa estava muito antiga. Nesse documento foram descritos conceitos, recomendações gerais e nutricionais específicas; além dos principais alimentos a serem consumidos e evitados (MAHAN; ESCOTT-STUMP; RAYMOND, 2013).

De forma espontânea também foi proposto para nutricionista a confecção de um folheto contendo informações sobre nutrientes que são essenciais para o pós-cirúrgico, uma vez que a maioria dos pacientes passava pouco tempo na clínica, continuando sua recuperação em casa. Neste folheto foram destacados os principais nutrientes que favorecem o processo de cicatrização, e os que dificultam, explicando a funcionalidade de cada um deles. Após aprovação, esses folhetos foram distribuídos, para os pacientes internos, ficando o arquivo anexado na clínica para a nutricionista apresentar, sempre que necessário. Foi possível perceber que os conhecimentos compartilhados eram uma novidade para os pacientes e seus acompanhantes, demonstrando a importância da nutrição nesse processo de reabilitação da saúde.

CONCLUSÕES

A concretização do estágio na área nutrição clínica proporcionou experiências importantes para a formação profissional, possibilitando a execução na prática de vários conhecimentos teóricos adquiridos no decorrer do curso. Através dessa prática, foi possível perceber como o trabalho do nutricionista é importante na gestão e para promoção, manutenção e reabilitação da saúde da população e como o TND pode ser essencial para execução dessas tarefas nas diferentes áreas de atuação.

AGRADECIMENTOS

Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) na divisão de Nutrição e Dietética, a nutricionista da Clínica Cirúrgica Pollyana Paula Soares de Araújo e coordenadora da Nutrição e Dietética do hospital Adriana Gomes Cézar de Carvalho.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Resolução CFN nº 333/2004. Dispõe sobre o Código de Ética Profissional dos Técnicos em Nutrição e Dietética e de outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 2004.

BRASIL, Resolução CFN Nº 605/ 2018, 22 de abril de 2018. Dispõe sobre as áreas de atuação profissional e as atribuições do Técnico em Nutrição e Dietética (TND), e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 2018.

MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S.; RAYMOND, J. L. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 1228 p.

NOVO, P. P. D. Relatório de Estágio Supervisionado I, 2015. Faculdade de Santa Helena, 16p., 2015.

NUTMED. Técnico em Nutrição e Dietética: quem é esse profissional? 2018. Disponível em:https://nutmed.com.br/blog/alimentacao-coletiva/tecnico-em-nutricao-e-dietetica-quem-e-esse-profissional. Acesso em 20 de junho de 2019.

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