Back

REVISÃO QUEIJO DO REINO PRODUZIDO COM LEITE CAPRINO

Capítulo de livro publicado no livro do VIII ENAG E CITAG. Para acessa-lo  clique aqui.

DOI: https://doi.org/10.53934/9786585062046-78

Este trabalho foi escrito por:

Rafael Pereira da Silva*; Edângerly da Silva Araújo ; Vinícius da Costa Mandu; Jose Higor Siqueira Rodrigues; Isabelly da Silva Ramalho; Fabiana Augusta Santiago Beltrão; Fernanda Alves de Oliveira 

Rafael Pereira Silva – Universidade Federal da Paraíba UFPB/CCHSA – Email: [email protected]

Resumo: Atualmente o leite de cabra é classificado como alimento funcional, por ser um ótimo alimento, participar da manutenção da saúde, tendo efeitos benéficos nas funções fisiológicas. O leite de cabra tem grande potencial nutritivo. O queijo do Reino é considerado um queijo brasileiro tradicional, originário do queijo Edam holandês, cuja história remonta ao final do século XIX. Foi o primeiro queijo maturado a ser produzido industrialmente no Brasil. É de formato esférico, bastante aromático, sua casca é ligeiramente espessa e tingida de vermelho. Tradicionalmente, é comercializado em latas esféricas. O queijo do Reino tradicional exige uma maturação mais prolongada, o que agrega valor ao mesmo e resulta em um queijo com características sensoriais peculiares, que atreladas às suas embalagem e casca tradicionais, fortalecem seu padrão internacional. Objetivou-se com este trabalho desenvolver uma revisão bibliográfica sobre queijo do reino por possuir características especificas deste produto como odor, sabor, procura-se analisar conceitos e construir respostas e fundamentação que equilibrem a conclusão da revisão, por meio dos objetivos que são exploratórios e descritivos, procura-se proporcionar maior familiaridade com o problema e levantar hipóteses principal deste trabalho e a fomentação do queijo do reino de leite caprino. Abrange levantamento bibliográfico, com experiências práticas com o assunto pesquisado, pesquisa de exemplos que estimulem a compreensão. Para aumentar a produção de leite de cabra no Brasil, é preciso entender o comportamento dos animais em tal produção. É fundamental, contudo, que ocorra mais comunicação entre pesquisadores para que possa consolidar o crescimento das pesquisas.

Palavras–chave: Qualidade; Características; História.

Abstract: Goat’s milk has great nutritional potential, being considered a possible source of income generation, especially in the semiarid regions of northeastern Brazil. Reino cheese is considered a traditional Brazilian cheese, originally from Dutch Edam cheese, whose history goes back to the end of the 19th century. It was the first matured cheese to be produced industrially in Brazil. It is spherical in shape, quite aromatic; its bark is slightly thick and dyed red. Traditionally, it is sold in spherical cans. Traditional Reino cheese requires a longer maturation, which adds value to it and results in a cheese with peculiar sensory characteristics, which, linked to its traditional packaging and rind, strengthen its international standard. The objective of this work was to develop the work has a basic specificity, and given its characteristics, it seeks to analyze concepts and build answers and reasoning that balance the conclusion of the research, through the objectives that are exploratory and descriptive, seeking to provide greater familiarity with the problem and raise hypotheses. It covers bibliographic survey, interviews with people with practical experiences with the researched subject, search for examples that stimulate understanding. The main hypothesis of this work is the promotion of cheese from the goat milk kingdom. It is necessary to create a Technical Regulation on Identity and Quality, which would make it legally exist. In order to characterize Reino cheese in terms of its history, its manufacturing technology, its physicalchemical, physical, sensory, commercial characteristics and its texture profile, 8 kingdom cheese industries were selected.

Keywords: Quality; Goat milk; Kingdom cheese.

INTRODUÇÃO

O queijo do reino, originado do queijo Edam, que chegou ao Brasil na época das Capitanias Hereditárias vindos de Portugal. Esses eram transportados nos porões dos navios, embalados em latas para aguentar a viagem feita pelas caravelas. Apesar de originário do queijo Edam, hoje tem poucas características desse famoso queijo holandês (FURTADO, 2008). O queijo do reino foi o primeiro a ser produzido industrialmente no Brasil. Sua produção teve início no final do século XIX na Serra da Mantiqueira, na região de Palmyra, hoje Santos Dumont, na primeira fábrica de laticínios da América Latina a “Cia. de Lacticínios”. Em diante, vários outros laticínios foram criados nesta e em outras regiões do país, sendo a Mantiqueira um ícone na produção deste produto. (FURTADO.2008) Assim, esse queijo possui características físicas no formato esférico, casca relativamente espessa, que após longa maturação é raspado em máquinas especiais, tingido de vermelho e acondicionado em latas esféricas ou em películas plásticas. Pesa entre 0,900kg a 1,300kg, com textura interna relativamente dura, alaranjada, fechada ou com pequenas olhaduras, oferece sabor intenso e picante e aroma bem pronunciado. É comercializado por peças ou por quilo, maturados ou em alguns casos quase sem maturação. O consumo desse queijo, com essas características, é mais elevado nos estados do Nordeste, onde é muito apreciado, principalmente na época do Natal e nas festas Juninas. A tradição do consumo desse queijo nessa região muito se deve à invasão de Pernambuco pelos holandeses. O maior consumo acontece nos estados de Pernambuco e no interior da Bahia. Várias indústrias queijeiras produzem esse queijo sazonalmente apenas para atender o mercado nordestino nestas épocas. Como todo queijo que possui maior valor agregado, o queijo do Reino tem passado por grandes mudanças e adaptações no seu processo tecnológico de fabricação, desvirtuando-se e gerando um produto que pouco se lembra do produto tradicional. Isso acontece para atender principalmente o mercado da região Sudeste, cujos consumidores preferem produtos mais suaves e para reduzir custos de produção. Sendo assim, uma nova forma de produção desse queijo é a utilização do leite caprino (TAVEIRA, 2013). O maior rebanho de caprinos no Brasil é encontrado na região do Nordeste com aproximadamente 91,0%, além de ser a região responsável pela maior produção de leite de cabra, com cerca de 67,0% (IBGE, 2018). A caprinocultura leiteira é uma atividade próspera no desenvolvimento econômico do país, mostrando um papel socioeconômico muito importante em várias regiões, como a geração de renda direta, e representando como importante fonte alimentar. Referente ao seu potencial, o leite caprino apresenta características físico-químicas e sensoriais singulares a outros leites. As proteínas e a gordura são de elevado grau de digestibilidade, tornando o leite de cabra mais atraente aos consumidores com disfunções digestivas e de baixos teores de lactose, que acaba transformando o leite caprino em menos alergênico para pessoas que são intolerantes (RIBEIRO; RIBEI RO, 2001). Isso ocorre devido a presença de ácidos graxos de cadeia curta e média com menor proporção da proteína no leite, do tipo caseína αs1, o que facilita a digestibilidade do leite caprino pelo no organismo (SILVA, 2009). Porém o baixo consumo de leite de cabra, ocorre devido a visão negativa com seu flavor, tornando desta forma para alguns produtores o motivo da falta de incentivo à produção. Essa percepção negativa sobre o leite de cabra é decorrente da divulgação negativa, no qual a obtenção do leite de cabra e seus derivados ocorria através da aplicação de procedimento com falta de higiene e até mesmo por descuido, pela falta de conhecimento dos produtores sobre a obtenção higiênica do leite e seus derivados. A principal hipótese deste trabalho é a revisão bibliográfica sobre queijo do reino produzido a partir do leite caprino. Gerando a problemática da revisão, quais características especificas do queijo do reino produzido a partir do leite caprino? Sendo assim, uma forma de mostrar a sociedade como o leite de cabra é produzido, é através de implantação e ensinamento aos produtores sobre as boas práticas de fabricação, aumentando, assim, o rendimento e a taxa de consumo, além de desenvolver e estimular a agregação de valor ao leite e seus derivados, como queijos, doces, iogurte, bebidas lácteas etc., atraindo consumidores de diferentes nichos. Além disso, o leite de cabra e seus derivados apresentam alegações de propriedades funcionais, o que hoje em dia é uma tendência na indústria de alimentos, pois desperta o interesse do consumidor, que vem cada vez mais buscando um elo entre alimento e saúde, principalmente na busca de alternativas que previnam doenças. Essa revisão tem como objetivo verificar as características relacionadas ao queijo do reino produzido a partir do leite caprino. Procurando analisar conceitos e construir respostas e fundamentação que equilibrem a conclusão da pesquisa (SILVA e MENEZES, 2005). A metodologia deste trabalho caracterizou-se como uma pesquisa bibliográfica e documental, como descrito no objetivo, o foco é descritivo e explicativo, e tendo a abordagem qualitativa. Tendo em vista proporcionar maior familiaridade com o problema e levantar hipóteses. Abrange levantamento bibliográfico, com o assunto pesquisado, pesquisa de exemplos que estimulem a compreensão (GIL, 1999; NICOLAU, 2011). Dessa forma foram utilizados, como mecanismos de revisão a identificação e localização de materiais como propaganda dos fabricantes, inclusive rótulos dos queijos do reino de diferentes marcas, acessíveis em pontos de vendas e estabelecimentos de comercialização, além do uso dos livros, artigos, informações disponíveis em diversos site da internet e outras fontes informativas.

TÓPICOS

Produção de cabras no mundo

A produção de cabras leiteiras fornece meios de subsistência sustentáveis, especialmente em áreas de recursos limitados, permitindo a geração de renda e emprego para pequenos produtores, além de produtos saudáveis e nutritivos (MILLER; LU, 2019). Nos últimos 50 anos, a produção mundial de leite caprino mais que dobrou e espera-se um aumento de aproximadamente 53% até 2030 (PULINA et al., 2018).

A produção mundial de leite de cabra foi estimada em 18,7 milhões de toneladas em 2017 (FAO, 2019).No Brasil, predomina a produção de leite de vaca, no entanto, o leite de cabra mesmo com o menor volume de produção, tem grande importância na geração de emprego e renda (DELGADO-JÚNIOR et al., 2020). A caprinocultura brasileira é mais difundida nas regiões Norte e Nordeste, sendo o estado da Paraíba o maior produtor do país.

Leite caprino

O leite de cabra fisicamente é um líquido branco, opaco, mais viscoso que a água, de sabor ligeiramente adocicado e de odor pouco acentuado, composto por 87% de água e 13% de substâncias sólidas (VALSECHI, 2001). O leite de cabra é definido como: O produto oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de cabras sadias, bem alimentadas e descansadas. Apresentando alto valor nutritivo e qualidade dietética, é um alimento que apresenta elementos necessários à nutrição humana, como: açúcares, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais (BRASIL, 2000). É um alimento rico em cálcio, gorduras (ácidos graxos de cadeia curta e saturada), tais como, o cáprico e caprílico, que são usados para o tratamento de pessoas com problemas de má absorção, além de ser rico em vitaminas A e B, proteínas e micronutrientes importantes para o desenvolvimento humano, principalmente durante a infância (CORREIA; BORGES, 2009). Quando comparado ao leite vaca, apesar que ambos possuem alfa-lactoalbumina, que é a responsável pelas frações alergênicas do leite bovino, no leite caprino sua concentração é de menor estabilidade, e quanto a presença de caseína, o leite de cabra possui quantidades reduzidas da alfa-caseína e alfa-s1-caseína, consequentemente menor alergenicidade (SILVA, 2009).

Produção de leite de cabra

A caprinocultura leiteira no Brasil tem aumentado de forma expressiva, em especial na região Nordeste, visto que esta região apresenta condições climáticas favoráveis, associadas a uma tradição de produção leiteira em várias mesorregiões. Embora tenha ocorrido um incremento na produção de leite de cabra na região, há ainda o corrente desafio de conquistar e manter novos mercados para este produto e seus derivados (GOTTARDI et al., 2008). A caprinocultura é uma das atividades pecuárias mais antigas do Brasil, estudos mostram que ela chegou no Brasil com a chegada dos colonos portugueses. Esta prática de criação é mais presente no Nordeste brasileiro, por ser uma região seca e de difícil adaptação de espécies de animais, a criação de caprinos foi a que mais cresceu a adaptar-se ao clima seco e árido do nordeste brasileiro. Atualmente, outras regiões brasileiras estão começando esta prática pecuária, como é o caso do Sudeste, aproveitando-se da proximidade dos grandes centros consumidores, que estão, aos poucos, mudando o seu ponto de vista quanto ao consumo de alimentos mais nutritivos e menos calóricos, como é o caso dos queijos fabricados com o leite de caprinos (ROMERO, et al 2013).

Queijos

Segundo os Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade dos Produtos Lácteos (BRASIL, 1996), entende-se por queijo o produto fresco ou maturado que se obtêm por separação parcial do soro do leite ou leite reconstituído, integral, parcial ou totalmente desnatado, ou de soros lácteos, coagulados pela ação física do coalho, de enzimas específicas, de bactérias específicas, de ácidos orgânicos, isolados ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem agregação de substâncias alimentícias e/ou especiarias e/ou condimentos, aditivos especificamente indicados, substâncias aromatizantes e matérias corantes (BRASIL, 1996).

Classificações dos queijos

De acordo com a legislação (BRASIL, 1996), os queijos podem ser classificados:

a) Quanto ao teor de gordura no extrato seco (GES):

  • Extra-gordo ou duplo creme: quando contenham o mínimo de 60 %.
  • Gordo: quando contenham entre 45,00% a 59,90%.
  • Semigordo: quando contenham entre 25,00% a 44,90%.
  • Magro: quando contenham entre 10,00% a 24,90%.
  • Desnatado: menor de 10,00%.

b) Quanto ao teor de umidade:

  • Baixa umidade (geralmente conhecidos como queijos de massa dura, duros): até 35,90%.
  • Média umidade (semiduros): 36,00% a 45,90%.
  • Alta umidade (geralmente conhecidos como de “massa branda ou macia”): 46,00% a 54,90%.
  •  Muito alta umidade: pode ser ou não tratado termicamente (geralmente conhecidos como de “massa branda ou mole”), umidade não inferior a 55,00%.

c) Quando submetidos ou não a tratamento térmico logo após a fermentação os queijos de alta umidade se classificam em:

  • Queijos de muito alta umidade tratados termicamente.
  • Queijos de muito alta umidade.

Queijo do Reino

O queijo do reino é considerado um queijo brasileiro tradicional, originário do Edam holandês. Ao termino do século XIX, era trazido ao Brasil importado do reino de Portugal e foi o primeiro queijo maturado a ser produzido industrialmente no brasil, fato de importância histórica para o desenvolvimento da indústria queijeira nacional (FURTADO; 2008). O queijo reino tem como principais características por ser sua textura interna relativamente dura, alaranjada, fechada ou com pequenas olhaduras, casca fina, lisa, de coloração vermelho ou róseo, e, por seu sabor picante e aroma acentuado. Outra característica tradicional desse queijo é sua embalagem em latas esféricas, hermeticamente fechadas, que permitem a manutenção das características típicas do produto (FURTADO, 2008). Segundo a legislação brasileira que regula a produção de queijo do reino, bem como de alguns outros, é a Instrução Normativa MAPA nº 68 de 12/12/2006. Segundo ela, as características sensoriais dele são as seguintes:

Consistência: massa semi-dura, pouco elástica de untura tendendo a seca;

Cor: amarelo-palha ou amarelada, homogênea, podendo ter totalidade rósea;

Crosta: fina, lisa de coloração vermelho ou róseo com ou sem parafina;

Odor: característico;

Sabor: característico, suavemente picante, com sabor adocicado;

Textura: aberta, com olhos de contorno nítido de fundo brilhante de aproximadamente 3 mm.

Origem do queijo do reino

No período colonial, os queijos consumidos no Brasil, eram provenientes da fabricação artesanal ou eram importados da Europa. Os queijos de procedência européia vinham para abastecer o palácio imperial e para casas dos nobres portugueses. O principal queijo importado era o queijo Edam, ele era fabricado na região de Edam, na Holanda, país com grande tradição na arte de queijos, dai o nome Edam. O queijo vinha através de Portugal, o que teria originado o nome “queijo do Reino”, era embalado em latas para protegê-lo durante o longo período de viagem nos porões dos navios, além de proteger o queijo de fungos (FURTADO, 2008).

Acredita-se que Portugal enviava vinhos em tonéis de madeira para a Holanda e depois aproveitavam esses tonéis para trazer queijos Edam, daí a coloração rósea tradicional do queijo. Em Portugal esses queijos eram parafinados e embalados numa lata metálica para agüentar o longo período de viagem até o Brasil que em média durava cerca de 3 meses (FURTADO, 2008).

Produção de queijo do reino no Brasil

O consumo do queijo do reino no Brasil não é grande, apesar de ser fabricado a mais de 100 anos, isso se deve principalmente pelo fato de ser um queijo especial, de preço elevado e consumido apenas em determinadas épocas do ano. Muitas indústrias fabricam este queijo apenas em uma época do ano e o estocam para abastecer o mercado ao longo do ano, outras indústrias, as mais tradicionais fabricam-se este queijo o ano todo em pequenas quantidades, conseguindo assim um queijo com melhor qualidade (FURTADO, 2008).

O queijo do reino é de maturação longa e possui preço mais elevado quando comparado com os queijos sem maturação, além disso, sua embalagem tradicional (lata) e o maior tempo de maturação aumentam seu custo de produção (FURTADO,2011).

Estados produtores de queijo do reino

Observa-se que nos últimos anos houve um aumento significativo na produção do queijo do Reino, isso se deve principalmente ao aumento do poder aquisitivo, do poder de compra e da renda per capita da população, houve maior investimento em marketing e como consequência os produtos que antes eram consumidos apenas em datas especiais vão tomando lugar no dia a dia na mesa do consumidor (Furtado,2008).

Instrução Normativa Nº 48, de 29 De outubro 2018

É o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Queijos do reino, a identidade e as características de qualidade que deve apresentar o queijo reino, na forma desta Instrução Normativa. O queijo reino é o produto obtido por coagulação do leite, por meio de coalho e outras enzimas coagulantes apropriadas, complementada pela ação de bactérias lácticas, isoladas ou em combinação. É um queijo de massa semicozida, prensada, salgada e maturada.

O queijo reino classifica-se, de acordo com o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Queijos, como um queijo gordo e de baixa a média umidade, deve apresentar crosta fina, sem trincas, com pintura característica vermelho ou rósea e formato esférico.

O queijo do reino apresenta como ingredientes obrigatórios:

I – leite ou leite reconstituído, isolado ou em combinação, padronizados ou não em seu teor de gordura, proteína ou ambos;

II – cultivo de bactérias lácticas;

III – coalho ou outras enzimas coagulantes; e

IV – cloreto de sódio.

O queijo reino apresenta como ingredientes opcionais:

I – leite em pó;

II – creme de leite;

III – creme de soro;

IV – manteiga;

V – gordura anidra de leite;

VI – butter oil;

VII – concentrado de proteína de leite;

VIII – concentrado de proteína de soro de leite;

IX – caseína;

X – cloreto de cálcio;

XI – substitutos do cloreto de sódio; e

XII – condimento, especiarias, produtos de frutas, cereais e legumes.

Estão autorizados os aditivos e coadjuvantes de tecnologia para queijos harmonizados no MERCOSUL e incorporados ao ordenamento jurídico do Brasil. Permite-se, exclusivamente na casca do queijo, o uso do corante fucsina ou magenta, conforme aprovado em legislação específica.

Composição microbiológicas dos queijos

Segundo Pinto (2019) os queijos do reino caprino obtiveram resultados de contagens de coliformes a 35 ºC de > 3×101 a UFC/g; para coliformes termotolerantes os resultados de < 1×102 , já para estafilococos coagulase positiva, as amostras de queijo estavam dentro do limite permitido pela legislação que é de 5,0 x 102 UFC/g (BRASIL, 1996), e para quanto à pesquisa de Salmonella spp. as amostras de queijo, apresentaram “ausência” na totalidade das análises realizadas, sendo este resultado satisfatório, já que legislação vigente estabelece a ausência desses micro-organismos em 25 g de queijo (BRASIL, 2001). A ausência de Salmonella spp. pode ser determinada pela menor capacidade de competição dessa espécie em relação aos coliformes e aos Staphylococcus spp., e que a ocorrência desses micro-organismos em alimentos está, na maioria das vezes, associada à contagens menores de outros contaminantes, a ausência de Salmonella spp. nas amostras também pode estar relacionada à presença de bactérias lácticas, que tornam o queijo um meio adverso à sobrevivência de micro-organismos patogênicos ou mesmo devido a condição estressante, advinda do processamento e estocagem a que o alimento foi submetido.

Freitas et al. (2002) relataram que a contaminação de leite por coliformes nas análises microbiológicas pode ter vários motivos: o leite não foi pasteurizado corretamente; o leite foi pasteurizado corretamente, mas a conservação posterior foi inadequada em relação ao tempo e temperatura; o leite foi pasteurizado corretamente, mas ocorreu uma recontaminação após a pasteurização. Outros fatores como a má higienização dos materiais e manipuladores, e a qualidade da água utilizada, também podem contribuir para a contaminação por coliformes (FRANCISCO, 2007). Os baixos índices de contaminação nos queijos para coliformes a 35 ºC, termotolerantes e estafilococos coagulase positiva e outros micro-organismos devem estar dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente (≤ 5,0 x 102 NMP.g-1 ). Quando as manipulações são incorretas e a falta da aplicação de procedimentos de Boas Práticas de Fabricação existe um grande risco de encontrar um grande número de coliformes termotolerantes, indicando a contaminação de origem fecal, evidenciando assim risco para a saúde dos consumidores (SALOTTI et al., 2006). Essa contaminação pequena pode estar relacionada com o desenvolvimento do produto em condições higiênico-sanitárias adequadas.

Composição Físico-química

O teor de umidade de um queijo é controlado basicamente por quatro fatores: tamanho do grão, temperatura de aquecimento, intensidade e tempo de mexedura e acidez. Nos queijos com tecnologia tradicional obtem-se grãos mais secos, pois os são grãos menores e o tempo de mexedura mais longo (FURTADO, 2008). O tamanho do grão, a temperatura de aquecimento e a acidez não variaram entre os dois processos, entretanto, observou diferenças marcantes no tempo de mexedura, a qual foi mais longa no processo tradicional gerando como conseqüência produtos com menor teor de umidades.

Gordura

O teor de gordura de um queijo mais especificamente a gordura no extrato seco (GES) é em função da relação gordura/caseína. Assim, como o teor de caseína tem uma variabilidade menor que o teor de gordura, leites com elevados teores de gordura produzem queijos com maior teor de gordura e gordura no extrato seco, provavelmente ao teor de gordura do leite, que em muitas fábricas.

O queijo do reino apresenta normalmente o teor de umidade variando de 45,0g e 59,9g/100g, caracterizando-o, portanto, sendo classificado como de baixa umidade de acordo com Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Queijos (BRASIL, 1996) a Portaria no 146 de 07 de março de 1996, principalmente após o período de maturação de 60 dias.

 Segundo Pinto (2019) os queijos do reino caprino obtiveram resultados de analises físico-químicas de parâmetros de cinzas foi encontrado 1,51%, para proteínas, 2,97%, umidade média de 64,04%, a acidez obteve 0,51%, as médias de lactose de 0,10%, lipídeos de 12,80%, pH de 5,21% e atividade água e 0,99%.

Furtado 2008, obteve na composição físico-química e de queijo do reino apresentou através do intervalo de confiança a 95%, umidade entre 33,72 e 35,79%, gordura entre 30,87 e 32,76%, pH entre 5,7 e 5,8, gordura no extrato seco (GES) 40 e 49%, extrato seco total (EST) entre 64,21 e 66,28%, teor de sal (NaCl) entre 1,08 e 1,18%, atividade de água (Aw) entre 0,981 e 0,984. O queijo Reino de acordo com as análises e com a legislação brasileira pode ser classificado como sendo um queijo de baixa umidade e gordo.

CONCLUSÕES

O leite de cabra apresenta qualidades que permitem que ele substitua o leite de vaca na alimentação das pessoas, pois apresenta grande potencial nutritivo, sendo considerada possível fonte de geração de renda, principalmente nas regiões semiáridas do nordeste brasileiro. O queijo Reino é considerado um queijo brasileiro tradicional, exige uma maturação mais prolongada, o que agrega valor ao mesmo e resulta em um queijo com características sensoriais peculiares, que atreladas às suas embalagem e casca tradicionais, fortalecem seu padrão internacional. Para aumentar a produção de leite de cabra no Brasil, é preciso entender o comportamento dos animais em tal produção, o qual pode ser feito por análise da curva de lactação dos animais, podendo selecionar os melhores produtores. Animais que permanecem por mais tempo na curva de lactação apresentam maior produção de leite e maior interesse econômico. É fundamental, contudo, que ocorra mais comunicação entre pesquisadores para que possa acometer o crescimento das pesquisas.

REFERÊNCIAS

ABIQ ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE QUEIJOS. Produção brasileira de produtos lácteos e estabelecimentos sob inspeção federal. São Paulo, 2005.

ABREU, L.R. Processamento do leite e tecnologia de produtos lácteos. Lavras: UFLA/FAEPE, 2005. 194 p. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução n.12, de 02 de janeiro de 2001. A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprova o regulamento técnico sobre padrões microbiológicos para alimentos.

ARAÚJO FILHO, 2006ANDRADE, N. J.; PINTO, C. L. O. Higienização na Indústria de Alimentos e Segurança Alimentar. In: BASTOS, M. S. R. Ferramentas da Ciência e Tecnologia para a Segurança dos Alimentos. 1ªed, Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2006. 440 p.

ASSUMPÇÃO, E.G.; PICCOLI-VALLE, R.H.; HIRSCH, D. et al. Fontes de contaminação por Staphylococcus aureus na linha de processamento de queijo prato. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.55, p.366-370, 2003.

BEDA, F.F. Hipersensibilidade ao leite de vaca e possível terapia utilizando o leite de cabra. UNIVERSIDADE PAULISTA, 2002.

BETH, 2019; BRASIL, Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Resolução RDC n°12, de janeiro de 2011, dispõe sobre Regulamento Técnico 16 de 1997. Diário Oficial da União, Brasília 10 de janeiro de 2000.

BRASIL. Instrução Normativa nº 146, de 07 de março de 1996. Aprova os Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade dos Produtos Lácteos. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 de mar. 1996. Seção 1, p. 3977.

BRASIL. Instrução Normativa nº 30, de 26 de junho de 2001. Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade de Manteiga da Terra ou Manteiga de Garrafa; Queijo de Coalho e Queijo de Manteiga. Diário Oficial da União, Brasília, DF; 2001. Seção 1, p.13.

CAPRIL VIRTUAL. Censo Agropecuário 2017: produção de leite de cabra. 2018. Disponível em: Acesso em: 07 Dez. 2020.

CARVALHO, Juliano Loureiro de. Pré-inventário dos engenhos da várzea do Rio Paraíba. João Pessoa: Trabalho Final (Monografia) de Graduação em Arquitetura e Urbanismo – UFPB, 2005.

CATUNDA, K. L. M. AGUIAR, E. M. SILVA, J. G. M. RANGEL, A. H. N. Leite caprino: características nutricionais, organolépticas e importância do consumo. Revista Centauro v.7, n.1, p 34 – 55, 2016.

CHRISTOPHER, D. L.; BETH, A. M. Special Issue-Current status, challenges and prospects for dairy goat production in the Americas Asian-Australasian. Journal of Animal Sciences (AJAS), Hilo, USA 2019; 32(8): 1244-1255. Special Issue Published online: July 1, 2019. DOI: 10.53934/9786585062046- https://doi.org/10.5713/ajas.19.0256.

CORDEIRO, P. R. C. Opções de mercado do leite de cabra e derivados: perspectivas de desenvolvimento, industrialização e comercialização, 2005. Disponível em: http://www.capritec.com.br. Acesso em 19 de julho de 2019.

CORREIA, R. T. P.; BORGES, K. C. Posicionamento do consumidor frente ao consumo de leite de cabra e seus derivados na cidade de Natal-RN. Revista Instituto de Laticínios “Cândido Tostes”, Natal RN, v. 64, n. 366, p.36-43, Jan-fev. 2009.

DELGADO-JÚNIOR, I.J.; SIQUEIRA, K.B.; STOCK, L.A. Produção, composição e processamento de leite de cabra no Brasil. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Circular Técnica, 122, 2020. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/a47bab8047458b909541d53fbc4c6735/RDC_12 _2001.pdfMOD=AJPERES. Acesso em: 2 set.2020.

EGITO, A. S.; LAGUNA, L. E. Fabricação de queijo de coalho com leite de cabra. Embrapa Caprinos e Ovinos-Circular Técnica (INFOTECA-E), 1999.

EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Novo Censo Agropecuário mostra crescimento de efetivo de caprinos e ovinos no Nordeste. out. 2018 – Dados eletrônicos. Brasília, DF: Embrapa, 2018. Disponível em: < https://www.embrapa.br/buscade-noticias/-/noticia/36365362/novo-censo-agropecuario-mostra-crescimento-de-efetivo-decaprinos-e-ovinos-no-nordeste> Acesso em: 07 dez. 2020

EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Produção Mundial. 2016. Disponível em: Acesso em: 07 dez. 2020.

EMEPA – Empresa Estadual da Pesquisa Agropecuária da Paraíba. Revista Caprinos e Ovinos. João Pessoa, v.2, 26 p., mai/jun., 1999.

FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. Food and Agriculture Organization of the United Nations statistical databases. 2019. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2021.

FAO, Food and Agriculture Organization of the United Nations. Pecuária primária: produção mundial de leite de cabra 2013. 2020. Disponível em: Acesso 31 mar. 2020. FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations. WORLD FOOD AND AGRICULTURE – STATISTICAL POCKETBOOK. Rome. 254 pp. 2018.

Fundada em 2020, a Agron tem como missão ajudar profissionais a terem experiências imersivas em ciência e tecnologia dos alimentos por meio de cursos e eventos, além das barreiras geográficas e sociais.

Leave A Reply