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PERFIL MINERAL DE BLEND DE POLPAS DE MELANCIA E ACEROLA

Capítulo de livro publicado no livro do II Congresso Brasileiro de Produção Animal e Vegetal: “Produção Animal e Vegetal: Inovações e Atualidades – Vol. 2. Para acessá-lo clique aqui.

DOI: https://doi.org/10.53934/9786585062039-55

Este trabalho foi escrito por:

Leiliane Silva Lopes Lima*; Joan Carlos Alves Pereira; Thalis Leandro Bezerra de Lima; Daniela Dantas de Farias Leite; Rossana Maria Feitosa de Figueirêdo; Alexandre José de Melo Queiroz

*Autor correspondente (Corresponding author) – Email: [email protected]

Resumo: A mistura das frutas apresenta-se como uma boa proposta para suprir algumas vitaminas e minerais de algumas frutas, se consumida separadamente. Este trabalho objetivou determinar o perfil mineral de blend composto pelas polpas de melancia e acerola na proporção de 50% de melancia e 50% de acerola. Para caracterização mineralógica, antes foi determinado o teor de cinzas, onde as amostras foram submetidas à incineração em mufla a 550 °C. Com o material remanescente da análise de cinzas, foi traçado o perfil mineral das amostrasem espectrômetro de fluorescência de raios-X por energia dispersiva, através da determinação da composição química semi-quantitativa de distribuição do tamanho das partículas por difração a laser. Os micronutrientes nas diferentes formulações variaram, sendo que o potássio foi o mineral que se sobressaiu, com teores expressivos tanto nas polpas de melancia, acerola e no belnd.. Foi concluído que a mistura das polpas de melancia e acerola resultou em valores intermediários, com exceção do Ca, que se sobressaiu no blend das frutas. Para os demais minerais, o blend das frutas não obtiveram valores expressivos, sendo recomendada a complementação para os minerais estudados com outros alimentos.

Palavras–chave: frutas tropicais;Citrullus lanatus (Thunb) Mansf; Malpighia emarginata D.C; mistura

Abstract: The mixture of fruits is presented as a good proposal to supply some vitamins and minerals of some fruits, if consumed separately. This work aimed to determine the mineral profile of a blend composed of watermelon and acerola pulps in the proportion of 50% watermelon and 50% acerola. For mineralogical characterization, the ash content was previously determined, where the samples were submitted to muffle incineration at 550 °C. With the remaining material from the ash analysis, the mineral profile of the samples was traced in an energy dispersive X-ray fluorescence spectrometer, through the determination of the semi-quantitative chemical composition of particle size distribution by laser diffraction. The micronutrients in the different formulations varied, with potassium being the mineral that stood out, with expressive contents both in the watermelon pulp, acerola and in the blend. It was concluded that the mixture of watermelon and acerola pulps resulted in intermediate values, with except for Ca, which stood out in the fruit blend. For the other minerals, the fruit blend did not obtain expressive values, being recommended the complementation for the studied minerals with other foods.

Key Word: tropical fruits; Citrullus lanatus (Thunb) Mansf; Malpighia emarginata D.C; mixture

INTRODUÇÃO

            Vitaminas são compostos orgânicos que não podem ser sintetizados em quantidades suficientes pelo organismo humano e por isso devem ser adquiridos ou suplementados pela dieta. São de grande importância para o correto funcionamento do corpo humano e homeostasia, segundo Champe et.al. (1). Os minerais são elementos inorgânicos distribuídos por toda a natureza e que, no organismo, desempenham uma variedade relevante de funções. Frutas e hortaliças são importantes fontes de elementos essenciais como os minerais. Segundo Hardisson (2), estes desempenham uma função vital no desenvolvimento e boa saúde do corpo humano e as frutas e hortaliças são consideradas as principais fontes de minerais necessários na dieta humana.

            A melancia contém antioxidantes com diversos benefícios relatados para a saúde. É rica em carotenóides como o licopeno e β-caroteno (3). Além disso, é uma excelente fonte de vitamina C e E em vitaminas do complexo B, principalmente B1 e B6, bem como sais minerais, designadamente potássio, magnésio, cálcio e ferro (4).

            A acerola merece destaque devido à presença de elevados teores de vitamina C e de polifenóis extraíveis totais, fazendo desta fruta uma das principais no campo das funcionais, pela habilidade desses compostos reter radicais livresno organismo humano. Além da vitamina C, a acerola também contém vitaminas do complexo B e grandes quantidades de betacaroteno, minerais como: cálcio; fósforo; ferro; magnésio e manganês (5).

            Apesar de existirem mais de 50 minerais no organismo, somente os minerais cálcio (Ca), fósforo (P), magnésio (Mg), potássio (K), sódio (Na), cloro (Cl), enxofre (S), ferro (Fe), cobalto (Co), cobre (Cu), iodo (I), manganês (Mn), zinco (Zn) e selênio (Se) são essenciais aos processos metabólicos e por isso mesmo devem estar presentes na alimentação. Por isso, é muito importante para saúde que a alimentação deva ser selecionada, priorizando-se os alimentos saudáveis como as frutas.

            No ritmo das inovações e na busca de sabores exóticos e ao mesmo tempo atrativo e funcional, pensou-se na mistura das polpas das frutas acerola com melancia, procedimento também conhecido como mix ou blend de sucos ou néctares. Nesse contexto, este trabalho objetivou determinar o perfil mineral de blend composto pelas polpas de melancia e acerola na proporção de 50% de melancia e 50% de acerola.

MATERIAL E MÉTODOS

As matérias-primas utilizadas, melancia (Citrullus lanatus (Thunb) Mansf.) e acerola (Malpighia emarginata D.C), foram adquiridas no comércio local de Campina Grande-PB, em estádio de maturação maduras. As frutas foram devidamente acondicionadas e transportadas ao Laboratório de Armazenamento e Processamento de Produtos Agrícolas (LAPPA), da Unidade Acadêmica de Engenharia Agrícola (UAEA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Em seguida, foram lavados em água corrente e sanitizados em solução clorada a 50 ppm durante 10 minutos. As amostras de acerola foram despolpadas em despolpadeira horizontal de aço inoxidável com capacidade aproximada de 400 Kg/h e as melancias foram cortadas manualmente para retirada da polpa, com o auxílio de faca de aço inoxidável, sendo dispensadas as cascas e as sementes. Em seguida, a polpa foi homogeneizada na despolpadeira. Ambas as polpas foram acondicionadas em embalagens de polipropileno transparente e armazenadas a -18 °C, até o momento dos experimentos.

As polpas foram descongeladas e homogeneizadas em liquidificador doméstico para elaboração do blend, na proporção de 50% de polpa de melancia e 50% de polpa de acerola.

Figura 1 – Polpa de melancia (a); polpa de acerola (b)

Para a caracterização mineralógica, foi realizada primeiramente a determinação do teor de cinzas das amostras, onde as mesmas foram submetidas à incineração em mufla a 550 °C e os resultados expressos em porcentagem (6). A partir destes resultados e do material remanescente da análise de cinzas, foi realizada a caracterização dos minerais através da determinação da composição química semi-quantitativa de distribuição do tamanho das partículas por difração a laser, em Espectrômetro de fluorescência de raios-X por energia dispersiva da marca SHIMADZU, modelo EDX-720.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O resultado do perfil mineral das polpas de melancia e acerola e do blend das polpas está descrito na Tabela 1.

De acordo com os resultados da Tabela 1, observa-se que a polpa de acerola foi a que obteve maiores concentrações da maioria dos minerais em estudo, com destaque ao potássio e fósforo. O potássio é um elemento largamente distribuído nos alimentos por ser um dos principais constituintes essenciais das células vegetais. O teor obtido na polpa de acerola para esse mineral foi de 232,36 mg/100g, superior ao valor referenciado pelo United States Departament of Agriculture (USDA), de 146 mg/100g e pela Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), de 221 mg/100g (7); (8). Para polpa de melancia, o teor encontrado de potássio foi de 140,32 mg/100g, valor superior ao referenciado pela TACO, de 104 mg/100g  e por Costa (2017), para melancias da cultivar Manchester (81,87 mg/100g) e Smile (73,81 mg/100g) e potássio. A mistura das polpas resultou em um teor de 164,43 mg/100g, embora seja um valor menor do que da polpa de acerola, mas ainda assim, ficou acima dos valores de referência da USDA e da TACO.

Os resultados encontrados para polpa de melancia para os minerais: cálcio, fósforo e ferro foram 15,31; 9,82 e 0,50 mg/100g, respectivamente. Costa (9), encontrou em seu trabalho para melancia da cultivar Smile os teores de Ca (5, 00 g.kg-1), P (5,85 mg.kg-1) e Fe (52,32 mg k). Os valores encontrados para a mistura das polpas foram satisfatórios para o cálcio e para o fósforo, se comparado ao valor da polpa de melancia. Neste sentido, pode-se inferir que a mistura das polpas de melancia e acerola resultou em valores intermediários, com exceção do Ca, que se sobressaiu no blend das frutas (Tabela 1).  O cálcio é muito importante para o corpo humano e a sua carência promove muitos efeito negativos refletidos também pela carência da Vitamina D. O efeito mais pronunciado da deficiência de vitamina D no corpo humano é a diminuição da absorção de cálcio e fósforo, levando a uma hipocalcemia. Nos adultos e idosos isso faz como que os ossos se tornem frágeis, levando à osteoporose, e nas crianças e adolescentes pode ocorrer raquitismo e deformidade dos ossos, sendo a perda de massa óssea muito notável. Outro fator decorrente da deficiência de vitamina D é o hiperparatireoidismo (10). A grande preocupação em relação a deficiência de ferro é porque, frequentemente, leva a anemia chamada de ferropriva. A anemia ferropriva resulta de longo período de balanço negativo entre a quantidade de ferro biologicamente disponível e a necessidade orgânica desse micronutriente (11). A ingestão de alimentos ricos em ferro é muito importante para manutenção da saúde.

O fósforo na polpa de acerola foi inferior ao valor reportado pela TACO (13 mg/100g). Em relação ao ferro, o valor encontrado nesse trabalho para polpa de acerola foi e superior, de 0,6 mg/100g se comparado ao valor referenciado pela TACO (0,2 mg/100g).

O enxofre é um micronutriente cuja necessidade individual recomendada é ade 700 mg/dia na alimentação, pois a sua presença é essencial para construção de proteínas e vitaminas do coágulo sanguíneo, podendo ser encontrado em vários alimentos, como frutas, verduras, carne, leite e alho. As quantidades de enxofre nas amostras analisadas das polpas de melancia e acerola, respectivamente, foram 3,15 e 4,45 mg/100g. O valor do blend das polpasfoi de 3,58 mg/100g, sendo recomendado a complementação deste mineral com outros alimentos.

As concentrações para cobre para as polpas de melancia e acerola foram 0,09 e 0,17 mg/100g, respectivamente. Em relação ao zinco, as concentrações foram de 0,52 e 0,61 mg/100g, para as polpas de melancia e acerola, respectivamente.

Andrade et al. (2004) encontraram teor médio de cobre (0,75 mg/100g) e zinco (3,2 mg/100g) em amostras cruas de leguminosas, ou seja, valores superiores ao deste trabalho. Esses micronutrientes participam de diversas reações no organismo, diretamente ou como cofatores de enzimas, sendo considerados essenciais. Os teores destes elementos encontrados tanto nas polpas quanto no blend foram inferiores se comparados aos das leguminosas determinadas por Andrade et al.(12), portanto, não se enquadram como uma boa fonte destes minerais, necessitando a complementação com outros alimentos.

Santos et al. (13), as características químicas e dos minerais das frutas de uma determinada espécie variam em razão de, além do fator genético, do local, dos tratos culturais, da época de colheita, do estádio de maturação. O papel dos minerais na nutrição tem grande importância, considerando que esses compostos se encontram em equilíbrio dinâmico, permanente nos tecidos animais e vegetais e que representam cerca de 4% dos tecidos de um indivíduo adulto (14).

Segundo Pereira (15), a concentração dos minerais nas fontes alimentares, principalmente os dos grupos microminerais e elementos traços, depende muito da fonte original do mineral, como o solo em que foram plantadas e, nas fontes alimentares de origem animais, da dieta a que estes foram submetidos.

O rubídio apresentou valores de 0,04 e 0,12 mg/100g para as polpa de melancia e acerola, respectivamente. O blend das polpas para estes minerais foi semelhante ao valor da polpa de melancia O zircônio apresentou valores de 0,21 apenas para polpa de melancia mg/100g.

CONCLUSÕES

Conclui-se que a mistura das polpas de melancia e acerola resultou em valores intermediários, com exceção do Ca, que se sobressaiu no blend das frutas. Para os demais minerais, o blend das frutas não obtiveram valores expressivos, sendo recomendada a complementação para os minerais estudados com outros alimentos. O potássio foi o mineral que se sobressaiu, tanto nas polpas quanto no blend.

REFERÊNCIAS

  1. Champe, P. C.; Harvey, R. A.; Ferrier, D. R. Vitaminas, In:__., Bioquímica Ilustrada, 3ª ed., Porto Alegre: Artmed, p. 271-272, 2006. Cap. 28.
  2. Hardisson, A. et al. Mineral composition of the banana (Musa acuminata) from the island of Tenerife. Food Chemistry, 2001, vol. 73, p. 153-161.
  3. Tlili, I., Hdider, C., Lenucci, M.S., Riadh, I., Jebari, H., Dalessandro, G.Bioactive compounds and antioxidant activities during fruit ripening of watermelon cultivars. Journal of Food Composition and Analysis, 24: 923-928, 2011
  4. Tlili, I., Hdider, C., Lenucci, M. S., Ilahy, R., Jebari, H., Dalessandro, G. Bioactive compounds and antioxidant activities of different watermelon (Citrullus lanatus (Thunb.) Mansfeld) cultivars as affected by fruit sampling area. Journal of Food Composition and Analysis, v. 24, p. 307-314, 2011
  5. Chitarra, M.I.F.; Chitarra, A.B. Pós-colheita de frutos e hortaliças: fisiologia e manuseio. Lavras: ESAL/FAEPE, 2005. 785p.
  6. INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz: métodos químicos e físicos para análises de alimentos. São Paulo: IAL, p.313, 2008.
  7. United States Departamento of Agriculture. National Nutrient Database for Standard. Release 16, july 2003. Disponível em: . Acesso em: 15 jun 2022.
  8. TACO. Tabela Brasileira de Composição Nutricional de Alimentos. 3.ed.Campinas: Núcleo de estudo e pesquisas em alimentação, p.114, 2011.
  9. Costa, A, B. Compostos fenólicos, capacidade antioxidante e minerais em cascas de melancias ‘manchester’ e ‘smile’ provenientes de resíduos de processamento. 2017. 45 folhas Tese [Doutorado] – Programa de Pós-graduação em Nutrição Humana, Departamento de Nutrição, Faculdade de Ciências da Saúde, UNB, Brasília, 2017.
  10. Premaor, M O.; Furlanetto, T. W. Hipovitaminose D em adultos: entendendo melhor a apresentação de uma velha doença. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia [online], [s.l.], v. 50, n. 1, p. 25-37, fev. 2006.
  11. Jordão, R. E.; Bernardi, J. L.; Filho, A. A. Prevalência de anemia ferropriva no Brasil: uma revisão sistemática. Rev Paul Pediatr [online], [s.l.], v. 27, n. 1, p. 90-98, 2009.
  12. ANDRADE, E.C.B.; BARROS, A M.; MAGALHÃES, A.C. P.; CASATROS , L.L.C.;TAKESEI, I. Comparação dos teores de cobre e zinco em leguminosas cruas e após serem processadas termicamente em meio salino e aquoso. Ciência e Tecnologia de Alimento, Campinas, v.24, n.3, p.316-318, 2004
  13. Santos, M.B.S.; Cardoso, R.L.C.; Fonseca, A.A.O.; Conceição, M.N.C. Caracterização e qualidade de frutos de umbu-cajá (Spondias tuberosa X S. mombin) provenientes do Recôncavo Sul da Bahia. Revista Brasileira de Fruticultura Jaboticabal – SP, v. 32, n. 4, p. 1089-1097, 2010.
  14. CHITARRA, M.I.F.; CHITARRA, A.B. Pós-colheita de frutos e hortaliças: fisiologia e manuseio. Lavras: ESAL/FAEPE, 2005. 785p.
  15. PEREIRA, J. C. Nutrição e Alimentação: Parte específica. Boletim do Criadouro Campo das Caviúnas. Cruzeiro, São Paulo, 2005.

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