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Trabalhos publicados como capítulo de livro pela editora Agron Food Academy

AÇÕES DE EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL DESENVOLVIDAS EM ESCOLA PÚBLICA DE BANANEIRAS-PB

Paula Daniela Silva Alves1; Laize Trajano Macedo2;Juliana Marinho de Oliveira3;Grazielly da Silva Felinto4;Daniela Costa Barbosa5; Geíza Alves de Azeredo6 Isabelle De Lima Brito7

1Estudante do Curso Técnico em Nutrição e Dietética – CAVN–UFPB; E-mail: [email protected], 2Estudante do Curso Técnico em Nutrição e Dietética – CAVN–UFPB; E-mail: [email protected], 3Estudante do Curso Técnico em Nutrição e Dietética – CAVN–UFPB; E-mail: [email protected], 4Estudante do Curso Técnico em Nutrição e Dietética – CAVN–UFPB; E-mail: [email protected], 5Estudante do Curso Técnico em Nutrição e Dietética – CAVN–UFPB; E-mail: [email protected], 6Docente do Departamento de Gestão e Tecnologia Agroindustrial – CCHSA – UFPB. E-mail:[email protected],7Docente do Departamento de Gestão e Tecnologia Agroindustrial – CCHSA – UFPB. E-mail: [email protected]

Resumo: O aumento no consumo de alimentos ultraprocessados pelos adolescentes é uma realidade, sobretudo no mundo ocidental, e que pode repercutir negativamente na sua saúde em longo prazo.  Assim, o objetivo deste trabalho foi planejar e implementar ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) em escola pública de Bananeiras-PB com intuito de divulgar o conhecimento e possibilitar reflexões capazes de induzirem práticas alimentares saudáveis. O estudo foi desenvolvido com adolescentes matriculados em escola do ensino fundamental, que aceitaram voluntariamente participar do estudo e tiveram a autorização dos seus respectivos responsáveis através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram abordados temas como “A importância de se ler os rótulos alimentares”, “O consumo de alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados” e “Quantidade de sal, açúcar e gorduras presente nos alimentos processados e ultraprocessados”, sempre utilizando-se de ferramentas lúdicas para maior interação com os adolescentes. Os momentos foram de grande descontração e participação dos estudantes, porém foi notória a necessidade da continuidade dessas ações para promover de forma mais efetiva, a reflexão e tomada de decisões nos adolescentes que assim, auxiliem nas suas escolhas alimentares saudáveis.

Palavras–chave: Adolescentes; Atividades lúdicas; Alimentação saudável.

INTRODUÇÃO

No Brasil, o consumo de alimentos de grande densidade energética, com altos teores de açúcar e gorduras, ou excessivamente ricos em sódio tem se ampliado. Isto tem repercutido na necessidade de se construir novas estratégias que possam minimizar as complicações associadas à má alimentação (BRASIL, 2006).

É fato que a transição alimentar culminou em um maior consumo de alimentos industrializados, muitas vezes com redução significativa de nutrientes importantes, além de maiores teores de energia e aditivos. Este consumo exacerbado, associado a condições de sedentarismo, têm contribuído para o aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade, sobretudo em crianças e adolescentes (ARAÚJO et al., 2010).

Com a tentativa de minimizar estes efeitos e estimular a alimentação saudável no ambiente escolar, torna-se essencial o desenvolvimento de práticas de EAN como ferramenta pedagógica para contribuir com a conscientização quanto a importância da adoção de hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis (BRASIL, 2018).

Nessa perspectiva, a avaliação da prática alimentar de escolares é de grande relevância, entretanto existem poucos instrumentos validados no Brasil. Diante disto, a escola representa um ambiente propício para o desenvolvimento destas ações, pois atuam como cenário coparticipante da formulação de políticas públicas e tende a possibilitar a socialização e continuidade das informações sobre a tão necessária mudança de comportamento nesse contexto (RAMOS, 2012).

Assim, o objetivo deste trabalho foi planejar e implementar ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) em escola pública de Bananeiras-PB com intuito de divulgar o conhecimento, bem como possibilitar reflexões e tomadas de decisões quanto às práticas alimentares saudáveis.

MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo foi desenvolvido numa escola do ensino fundamental, situada na zona urbana da cidade de Bananeiras – PB. Participaram do estudo 90 escolares, com idade entre 11 a 18 anos incompletos, desde que seus pais e/ou responsáveis tivessem concordado com sua participação, por meio da autorização expressa em Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que continha descrição e informações detalhadas do estudo.

Para planejamento das atividades, foram consideradas as particularidades que envolvem os adolescentes. Assim, buscou-se abordar os temas “A importância de se ler os rótulos alimentares”, “O consumo de alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados” e “Quantidade de sal, açúcar e óleo presente nos alimentos processados e ultraprocessados”.

Para estas abordagens foram criadas as seguintes ferramentas educativas: Jogo do “curti” ou “não curti”, se assemelhando ao verdadeiro ou falso; um “baralho alimentar” utilizado para decifrar o alimento ou processo do qual a mensagem trazida se referia; e um “dominó alimentar”, visualizados na Figura 1. Os adolescentes participaram de forma expressiva das atividades propostas e por fim foram mostrados alguns produtos alimentícios industrializados para alertar sobre a quantidade de sal, açúcar e óleo que estes possuíam na sua composição.

Figura 1 – Práticas de Educação Alimentação e Nutricional desenvolvida em escola de rede pública de Bananeiras –PB.

A: Jogos educativos; B: Participação dos adolescentes; C: Exposição de alimentos e leitura dos rótulos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As ações educativas realizadas foram bastante aproveitadas pelos adolescentes que participaram de forma efetiva de cada momento, desde a exposição dos temas abordados e principalmente na hora dos jogos e dinâmicas. Apesar de todo envolvimento, a maioria dos participantes demonstravam suas preferências quanto aos produtos industrializados e alegavam que a escolha estava atrelada a palatabilidades dos alimentos, bem como sua praticidade e aceitação entre os pares, alegações já reportadas em outros estudos (VALENÇA et al., 2020; OLIVEIRA et al., 2021).

Estas situações são inerentes da adolescência, uma fase de transição entre a infância e a fase adulta, onde o jovem passa a sofrer maiores influências da mídia, da sociedade e dos pares, além de se acharem mais independentes quanto ao seu poder de escolha dos alimentos (GALISA; NUNES, 2014). Nesse sentido, as práticas pedagógicas, apesar de desafiadoras, funcionam como ferramentas importantes no direcionamento desses adolescentes para escolhas alimentares saudáveis, pois possibilitam trabalhar os problemas levando em consideração sua individualidade e complexidade (GALISA; NUNES, 2014).

Dessa forma, a educação alimentar e nutricional em adolescentes pode contribuir para significativas melhorias nos estágios de mudanças alimentar (ASSIS et al., 2014). As mudanças de comportamento são realizadas quando o adolescente percebe o sentido dessas modificações em sua história de vida, que engloba o individual e o social, emoção e ação, compreensão dos fatos e segurança para manifestação e enfrentamento dos problemas (RODRIGUES; BOOG, 2006).

Neste trabalho, ficou evidente a importância dos materiais lúdicos utilizados para as ações educativas de promoção da saúde, pois permitem maior assimilação do conhecimento e interação entre os participantes (GALISA; NUNES, 2014).

CONCLUSÕES

Em síntese, diante da dificuldade encontrada relacionada a mudança de hábitos alimentares de alguns adolescentes, vê-se a importância de dar continuidade às medidas de intervenção aplicadas, implantando nas escolas atividades lúdicas, palestras e aulas que tratem de forma mais simplista e atrativa a importância de uma alimentação adequada e sua relação direta com os benefícios à saúde. Além disso, a diversidade vasta de temas a serem abordados também reforça a importância de se inovar quanto às possíveis práticas pedagógicas aplicadas.

AGRADECIMENTOS

Aos colegas, que colaboraram e fizeram parte desse trabalho e que foram essenciais para sua realização. Às professoras, Isabelle e Geíza, pela iniciativa e por todo o apoio e incentivo dado. À Universidade Federal da Paraíba por contribuir tanto para as conquistas dos estudantes.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, C; TORAL, N; SILVA, A.C.F; VELÁSQUEZ-MELENDEZ, G; DIAS, A.J.R. Estado nutricional dos adolescentes e sua relação com variáveis sociodemográficas: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2009. Ciênc Saúde Coletiva, v. 15, n. 2, p. 3077-84, 2010.

ASSIS, M, M.; PENNA, L.F; NEVES, C.M.; MENDES, A.P.C.C; OLIVEIRA, R.M.S; NETTO, M.P. Avaliação do conhecimento nutricional e comportamento alimentar após educação alimentar e nutricional em adolescentes de Juiz de Fora-MG. HU Revista, v.40, n. 3 e 4, p.135-143, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Política nacional de promoção da saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.

BRASIL. Conselho Federal de Nutricionistas. CFN. Princípios e Práticas para Educação Alimentar e Nutricional. Brasília/DF; 2018.

GALISA, M. S.; NUNES, A. P. Educação alimentar e nutricional: da teoria a prática. Vila Mariana (SP): Roca, 2014. 293p.

OLIVEIRA, R. R.; PETER, N. B.; MUNIZ, L. C. Consumo alimentar segundo grau de processamento entre adolescentes da zona rural de um município do sul do Brasil. Ciência e Saúde Coletiva, v. 26, p. 1105-1114, 2021.

RAMOS, F. P.; SANTOS, L. A. S. O fazer educação alimentar e nutricional: algumas contribuições para reflexão. Ciênc Saúde Coletiva. v.17, n. 2, p. 453-462, 2012.

RODRIGUES, E. M.; BOOG, M. C. F. Problematização como estratégia de educação nutricional com adolescentes obesos. Caderno de Saúde Pública, v. 22, n. 5, p. 923-31, 2006.

VALENÇA, M. S.; RAMOS, C. I.; DE OLIVEIRA RAPHAELLI, C.; GRELLERT, M. N.; MADRUGA, S. W. Influências e preferências no consumo de alimentos ultraprocessados por crianças da zona rural. Disciplinarum Scientia Saúde, v. 21, n. 1, p. 133-146, 2020.

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