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A IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS NA SOCIEDADE: REVISÃO DE LITERATURA

Capítulo de livro publicado no livro do II Congresso Brasileiro de Produção Animal e Vegetal: “Produção Animal e Vegetal: Inovações e Atualidades – Vol. 2. Para acessá-lo clique aqui.

DOI: https://doi.org/10.53934/9786585062039-77

Este trabalho foi escrito por:

Ana Clara Caetano Menditi*

*Autor correspondente (Corresponding author) – Email:[email protected]

Resumo: As plantas alimentícias não-convencionais (pancs) são aquelas pouco populares no dia a dia da população. Maior parte dessas plantas são orgânicas, exóticas, nativas, não são transgênicas, e ainda por cima, possuem uma variedade de nutrientes em sua composição. Contam com substâncias que trazem benefícios, possuindo deste modo, ações anti-inflamatórias, antioxidante, anticarcinogenicas e antimicrobiana. Dentre as pancs, a planta ora-pro-nóbis é composta por diversos nutrientes no qual é indispensável o seu consumo. Mesmo exibindo efeitos antinutricionais, tem efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes. É composta por minerais, lipídios, ácidos graxos insaturados, fibras, proteínas e compostos bioativos. Diversos estudos são citados para o desenvolvimento de novos produtos com esse tipo de planta, contudo, é necessário o aprofundamento das pesquisas, comprovando seus efeitos benéficos, bem como efeitos antinutricionais. O objetivo do trabalho foi elaborar uma revisão bibliográfica com os respectivos benefícios que as pancs trazem para a saúde e o desenvolvimento de produtos usando essas plantas.

Palavras-chave: Plantas, Benefícios, Nutrientes, Produtos.

Abstract:

Non-conventional food plants (NFCPs) are those that are not very popular in people’s daily lives. Most of these plants are organic, exotic, native, non-transgenic, and on top of that, they have a variety of nutrients in their composition. They contain substances that bring benefits, thus possessing anti-inflammatory, antioxidant, anticarcinogenic, and antimicrobial actions. Among the pancs, the ora-pro-nobis plant is composed of several nutrients which its consumption is indispensable. Even though it exhibits antinutritional effects, it has anti-inflammatory, antioxidant effects. It is composed of minerals, lipids, unsaturated fatty acids, fiber, protein, and bioactive compounds. Several studies are cited for the development of new products with this type of plant, however, it is necessary to deepen the research, proving its beneficial effects, as well as its antinutritional effects. The objective of this work was to elaborate a literature review with the respective health benefits of Pancs and the development of products using these plants.

Keywords: Plants, Benefits, Nutrients, Products.

INTRODUÇÃO

Atualmente, a sociedade contemporânea tem buscado novos meios de mudanças em relação aos seus hábitos alimentares, aderindo um estilo de vida melhor, diversificando suas refeições, passando a consumir, portanto alimentos menos industrializados e sim mais saudáveis, ou seja, ricos em nutrientes, com o objetivo principal de obter uma qualidade de vida melhor (1; 2).

Diante disso, surgem as plantas alimentícias não convencionais (PANCS) os quais não são tão populares como as plantas consumidas diariamente. São plantas exóticas, nativas, cultivadas, que por vez contém uma variedade de nutrientes presentes em sua composição. São plantas que possuem uma ou mais partes comestíveis, podendo serem elaboradas de diversas formas para o consumo (3).

Acerca do termo “não convencional”, é importante entender que este não faz referência a planta em si, ele vai ser relativo à regionalidade e à cultura, ou seja, de acordo com a região, determinada planta pode ser ou não considerada uma PANC. Como é o caso do umbu (Spondias tuberosa Arruda), que na maioria das cidades do Sul é considerada uma PANC, mas, no Nordeste, é uma planta que faz parte do cardápio cotidiano (4).

As PANCS são plantas que crescem em qualquer meio e região, algumas já tem a tendência de se evoluir melhor em uma determinada região do que em outras. O uso dessas plantas em companhia com a refeição é importante, por serem saudáveis e ricas em nutrientes (1).

Por possuírem pouco conhecimento, a população caracteriza essas plantas como quaisquer tipos de matos presentes no meio ambiente, sendo consideradas até mesmo como ervas daninhas (1).

Mesmo que o conhecimento dessas pancs não seja tão comum pela sociedade, as substâncias presentes em sua composição trazem infinitos benefícios, possuindo deste modo, ações anti-inflamatórias, antioxidantes, anticarcinogenicas, bem como propriedades antimicrobianas, com habilidade de retardar certas doenças (5).

O uso das plantas na culinária é relevante na inclusão das refeições do dia a dia, principalmente em porções restritivas, como dietas. Onde o seu consumo pode funcionar como uma estratégia para manter a diversificação alimentar. Sendo consumida in natura, como também processada ou/ e minimamente processada (4).

O atual trabalho tem como objetivo de abordar os benefícios que as plantas alimentícias não convencionais trazem para a saúde e também o desenvolvimento de produtos usando essas plantas.

Benefícios nutricionais das PANCS

Existem no Brasil aproximadamente de 3 mil espécies de PANCs e, estudos tem demonstrado que em torno de 10% de toda flora nacional é formada por plantas alimentícias não aproveitadas, se perdendo vitaminas essenciais, fibras, antioxidantes e sais minerais, todos necessários para um bom funcionamento do organismo humano. Neste sentido podemos explorar a disseminação do conhecimento quanto aos benefícios do consumo das PANCs e, consequentemente, melhorar sua aceitabilidade (6).

A presença de nutrientes nas pancs é extremamente superior do que nas plantas domesticadas. Além de serem ricas em nutrientes, possuem baixo custo quando comparadas com hortaliças convencionais. Pelo simples fato de se desenvolverem facilmente em diversos lugares, a maioria delas são orgânicas, ecológicas e acima de tudo, não são transgênicas (7; 8).

Um dos principais problemas relacionados as pancs, é que essas não são cultivadas e por isso a lei da oferta e da procura, é baixa. Outro ponto a ser discutido está relacionado diretamente aos consumidores, pela falta de conhecimento e pela falta de criar novos hábitos alimentares, acabam não incluindo as pancs em sua alimentação. De certa forma, é um dos motivos pelos quais o mercado não consegue comercializar esse tipo de vegetal (9).

É relevante o aprofundamento de pesquisas sobre as plantas alimentícias não convencionais, comprovando assim seus benefícios e se caso há algum efeito contrário, ou seja, tóxico, ou antinutricional, que são propícios a levar em risco a saúde do consumidor (11).

Desenvolvimento de produtos

As plantas alimentícias não convencionais são consumidas pela sociedade como fontes alternativas, por exibirem excelentes fontes de nutrientes. Com isso, segundo Pozzebon (2021), citou que essas plantas são usadas para desenvolvimento de novos produtos, como por exemplo, a folha de peixinho, por ser uma fonte rica em fibras totais, onde efetuou o processo de desidratação dessa panc, para a elaboração de biscoitos (13).           

Umas das plantas considerada pouco popular no Brasil é a ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), pertencente da família Cactaceae, apresentam alguns nomes populares, como labrobó, lobrodo, guaiapá, groselha-da-américa, cereja-de-barbados, cipó-santo, mata-velha, trepadeira-limão, jumbeta(19).   . É uma planta originada da América Tropical, e também no Brasil, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e principalmente com destaque nos estados de MG e GO (21).

Essa panc de fácil cultivo bem como de reprodução. Dentre os nutrientes, ela é composta por lipídios, ácidos graxos insaturados, ferro, cobre, fósforo, magnésio, carboidratos, fibras, proteínas, compostos bioativos e assim por diante. Tende a retardar a ocorrência de certas doenças, como anemia ferropriva, câncer, osteoporose e à constipação intestinal. Tem ação antioxidante e anti-inflamatória(19). É uma espécie que contém uma variedade de plantas, como a ora-pro-nóbis laranja, branca, dourada e rosa (15; 12). Figura 1.

Figura 1. Ora-pro-nóbis do tipo a) branca e b) laranja (Fonte: Google).

É uma panc que pode ser consumida crua, refogada, ou em sopas. A sua farinha é muito utilizada na área de panificação, com a finalidade de enriquecer diversos produtos e também na complementação de nutrientes no combate à desnutrição (16;18). A seguir na Tabela 1 apresenta a composição química da farinha de ora-pro-nóbis (15).

Alguns estudos aplicaram novas formulações para o desenvolvimento de pães a partir  da planta ora-pro-nóbis e a bertalha. Um outro estudo, usou na formulação de macarrão, farinhas de ora-pro-nobis. Posto isto, os produtos produzidos por essas espécies, exibiram resultados satisfatórios referente a análise sensorial, sendo como uma alternativa a possibilidade de aplicar essas plantas na formulação de novos produtos (12).

Muitos produtos alimentícios vêm sendo desenvolvidos como mecanismos de melhorar a sua formulação através da incorporação de adição de plantas alimentícias não convencionais, como meio de enriquecer e tornar menos danosos. Assim dizendo, um estudo buscou analisar a presença de farinhas de Batata Yacon, Moringa e ora-pro-nóbis  na produção de hambúrguer bovino. Onde obtiveram uma redução significativa no teor de gorduras e carboidratos, e um aumento superior no teor de proteínas, fibras alimentares e cinzas (17).

Piccini et al (15) ,  desenvolveu hambúrguer vegetariano e bebida fermentada, usando como base a proteína de folhas de ora-pro-nóbis, constata que a matéria-prima pode ser usada para o desenvolvimento de novos produtos, melhorando assim o perfil nutricional dos mesmos.

CONCLUSÕES

Perante a isso, nota-se que as plantas alimentícias não convencionais, como a ora-pro-nóbis é bem nutritiva. Além do mais, essas plantas, de maneira geral, são cultivadas por sistemas sustentáveis, ou melhor, não utilizam o uso de produtos químicos, que além de beneficiar a saúde humana, contribui significativamente para o meio ambiente. Contudo, é importante ampliar a divulgação/comércio dessas espécies para a sociedade e aprofundar nas pesquisas sobre o seu uso e forma de consumo.

REFERÊNCIAS

  1. Lopes T. A. J., Sousa W. G. M., Abreu M. C. CARACTERIZAÇÃO DE PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS PERTENCENTES À FAMÍLIA LAMIACEAE BASEADA EM DADOS BIBLIOGRÁFICOS. Biodiversidade, Piauí, 2021, 20 (2):63-92.
  2. Liberato, P, S., Lima, D, V, T., Silva, G, M, B. PANCs – Plantas Alimentícias não convencionais e seus benefícios nutricionais. Environmental Smoke. João Pessoa, 2019, 2 (2): 102-111.
  3. Tuler, A, C., Peixoto, A, L., Silva, N, C, B. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) na comunidade rural de São José da Figueira, Durandé, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia. Rio de Janeiro, 2019, 70: 1-12.
  4. Bezerra, J, A., Brito, M,M. Potencial nutricional e antioxidantes das Plantas alimentícias não convencionais (PANCs) e o uso na alimentação: Revisão. Research, Society and Development. São Paulo, 2020, 9 (9): 1-11.
  5. Nunes, L, V., Giannoni, J, A., Costa, A, G., Ferreira, A, C., Rossi, P, H, S., Favoni, S, P, G. Avaliação do conhecimento sobre plantas alimentícias não convencionais (panc) por meio de questionário da plataforma google forms aplicado à população. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação- REASE. São Paulo, 2021, 7 (7): 250-261.
  6. Garcia E. L., Ciccone C. E. ANÁLISE QUALITATIVA E LEVANTAMENTO DAS PANCs NATIVAS DA CIDADE DE BOTUCATU/SP. Tekhne e Logos, 2020, 11(3):82-92.
  7. Furtado G. C. Desenvolvimento e avaliação sensorial de antepasto com mangará (coração da bananeira) para cardápios de meios de hospedagem (Musa spp). Monografia (Programa de Graduação em Hotelaria) – Rio de Janeiro – RJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, 2018, 49p.
  8. Terra, S, B., Viera, C, T, R. Plantas Alimentícias não convencionais (pancs): levantamento em zonas urbanas de Santana do Livramento, RS. Ambiência- Revista do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais. Rio Grande do Sul, 2019, 15 (1): 112- 130.
  9. Barroso A. B. PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS DO NORDESTE: UMA REVISÃO. Monografia (Programa de Graduação em Engenharia de Alimentos) – Fortaleza – CE, Universidade Federal do Ceará – UFCE, 2021, 63p.
  10. Botrel N., Freitas S., Fonseca M. J. O., Melo R. A. C., Madeira N. Valor nutricional de hortaliças folhosas não convencionais cultivadas no Bioma Cerrado. Brazilian Journal of Food Technology, Campinas, 2020 23:1-8.
  11. Paschoal, V.; Souza, N.S. Plantas Alimentícias não convencionais (PANC). In: CHAVES, D. F. S., Nutrição Clínica Funcional: compostos bioativos dos alimentos. VP Editora, 2015, p. 302-323.
  12. Cunha M. A., Pinto L. C., Santos I. R. P., Neves B. M., Cardoso R. C. V. Plantas Alimentícias Não Convencionais na perspectiva da promoção da Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil. Research, Society and Development, 2021, 3:1-13.
  13. Pozzebon J. M. Cultivo, aspectos nutricionais e aplicação culinária de plantas alimentícias não convencionais (PANC). Monografia (Programa de Graduação em Nutrição) – Palmeira das Missões – RS, Universidade Federal de Santa Maria – RS, 2021, 45p.
  14. Padilha M. R. F., Souza V. B. N., Shinohara N. K. S., Pimentel R. M. M. Plantas Alimentícias não Convencionais presentes em Feiras Agroecológicas em Recife: Potencial Alimentício. Brazilian Journal of Development, Curitiba, 2020, 6 (9): 64928-64940.
  15. Fink S. R., Konzen R. E., Vieira S. E, Ordonez A. M., Nascimento C. R. B. Benefícios das Plantas Alimentícias não Convencionais-PANCs: Caruru (Amaranthus Viridis), Moringa Oleífera Lam. e Ora-pro-nóbis (Pereskia Aculeata Mill). Pleiade, 2018, 12(S1): 39-44.
  16. Piccini C., Bortoluzzi E., Fiorentin G., Batista K., Fortes S. UTILIZAÇÃO DE ORA-PRO-NÓBIS (Pereskia aculeata Miller) EM ALIMENTOS: REVISÃO DA LITERATURA CIENTÍFICA E PESQUISA EXPLORATÓRIA. Trabalho Integrador apresentado ao curso Técnico em Alimentos – Xanxerê – SC, Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC, 2020, 39p.
  17. Ziegler V., Ugalde M. L., Veeck I. A., Barbosa F.F. Enriquecimento nutricional de hambúrguer com adição de componentes de plantas alimentícias não convencionais. Revista Brasileira de Tecnologia de Alimentos, Campinas, 2020, 23:1-12.
  18. Kinupp, V. F., Barros, I. B. I. Teores de proteína e minerais de espécies nativas, potenciais hortaliças e frutas. Ciência e Tecnologia de Alimentos, 2008, 28, (4): 846- 857.
  19. MELLO F. S. B. O. N. Plantas alimenticias não convencionais: uma alternativa para a economia criativa. Dissertação (Pós-Graduação em Desenvolvimento Local) – CAMPO GRANDE – MS, Universidade católica dom bosco, 2022, 52p.
  20. BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária. Departamento Nacional de Defesa Vegetal. Regras para análise de sementes. Brasilia: Departamento de Defesa Vegetal, 2010.
  21. Callegari C. R., Filho A. M. M. Plantas Alimentícias Não Convencionais PANCs. Epagri, Florianópolis, 2017, 56p.

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