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A EXPERIÊNCIA DO PET-SAÚDE NA ATUAÇÃO COM O APOIO INSTITUCIONAL E REGIONAL DA 4ª GERÊNCIA REGIONAL DE SAÚDE

Capítulo de livro publicado no livro: Tecendo cuidados e semeando saúde: experiências e relatos inspiradores de atenção primária. Para acessa-lo  clique aqui.

DOI: https://doi.org/10.53934/9786599965838-01

Este trabalho foi escrito por:

Marília Aires Bezerra¹, Nataline Cordeiro da Silva², Natalia Fernandes do Nascimento³, Egberto Santos Carmo4

RESUMO

Introdução: O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) é uma ação do Ministério da Saúde e da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, que visa integrar estudantes de cursos de graduação dentro dos serviços de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: O escrito visa descrever a experiência do PET-Saúde junto ao apoio institucional e regional da 4ª Gerência Regional de Saúde (GRS), no eixo da gestão em saúde. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência do tipo qualitativo e descritivo, o qual aborda as experiências vividas dentro do PET-Saúde, voltadas ao eixo da gestão em saúde, no âmbito da 4ª Gerência Regional de Saúde. Resultados: Os alunos petianos contam com o apoio de uma equipe multidisciplinar dentro do serviço e possuem acesso direto à agenda de reuniões em geral. Com isso, enriquecem o aprendizado do aluno cada vez mais, gerando atividades e trabalhos científicos. Conclusão: Dessa forma, é possível observar uma construção de experiências riquíssimas entre alunos e demais profissionais de saúde, o que se configura de extrema importância não apenas enriquecendo um currículo acadêmico de todos os atores envolvidos, mas também formando cidadãos politizados com senso crítico reflexivo e preparados para atuar nas diversas áreas da saúde pública, sejam elas na assistência ou gestão.

Palavras–chave: PET-Saúde, CES-UFCG, 4ª Gerência Regional de Saúde, Apoio institucional, Gestão em saúde.

INTRODUÇÃO

O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) é uma ação promovida pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Educação, junto à Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, que visa integrar, dentro dos serviços de Atenção Primária à Saúde, estudantes de cursos de graduação de modo a atuar com os profissionais de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). No Centro de Educação e Saúde, da Universidade Federal de Campina Grande (CES/UFCG), o programa realiza atividades nos municípios de Cuité-PB e Nova Floresta-PB, tanto no eixo da assistência, com foco na Atenção Primária, quanto da gestão em saúde dos municípios que fazem parte da 4ª Região de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde da Paraíba (1).

O PET-Saúde é dividido em equipes denominadas “grupos de trabalho” (GT). Esses grupos são divididos para atuar em 4 estabelecimentos de saúde do SUS e um deles é a 4ª GRS, que fica no município de Cuité e é responsável por uma parte das cidades da região, contemplando 12 municípios – Frei Martinho, Picuí, Nova Floresta, Cubatí, Damião, Baraúna, Sossego, Nova Palmeira, Pedra Lavrada, Seridó, Barra de Santa Rosa e Cuité. Esse modelo de gestão na saúde permite que as particularidades de cada região recebam atenção especial na hora de decidir ações e campanhas que contemplem a demanda mais urgente desses municípios, com atividades que englobam a atenção básica, a rede hospitalar, as ações municipais, o combate à mortalidade infantil e as diversas endemias (2).

A 4ª Região de Saúde é composta por uma Gestora e uma apoiadora institucional da Escola de Saúde Pública da Paraíba (ESP), ambas sendo preceptoras do PET-Saúde, eixo gestão. O serviço conta com o CEDMEX e NAF, o qual é composto por um  farmacêutico, dois arquivistas de pasta, um coordenador do NAF e um chefe de auditoria. O setor de computação conta com um digitador de sistema; o setor de Recursos Humanos conta com uma supervisora de recursos humanos, serviço de transporte e digitadora do Sistema de Gerenciamento para concessão das Diárias Administrativa; o setor de Apoio Regional e Institucional, é composto por  um Apoiador Institucional da ESP, um apoiador regional-referência para cada área (epidemiologia, imunização e vigilância ambiental). Além destes, a gerência também conta com o serviço de Almoxarifado, composto por um almoxarife; setor de copa e Auxiliar de Serviços Gerais (ASG) com três copeiras e ASG; setor de transporte e segurança composto por dois motoristas e dois vigias diurnos. 

Por definição, o apoio institucional (AI) é uma função, ou metodologia de trabalho gerencial, direcionada a coletivos organizados para a produção de saúde, que visa promover a análise e a gestão compartilhada do trabalho, em contraposição às principais características dos modos tradicionais de administração (3). Ou seja, o AI tem por essência um perfil educador/pedagógico e possui a capacidade de transformar o processo de trabalho. No município de Cuité, o apoiador institucional participa amplamente das políticas de saúde, de modo que as mais diversas atividades que abrangem o âmbito da saúde pública são acompanhadas de perto e é coordenado pela Escola de Saúde Pública da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba.

Nesse sentido, neste capítulo será descrita a experiência do PET-Saúde junto ao apoio institucional e regional da 4ª Gerência Regional de Saúde (GRS). Sendo um relato de experiência, o trabalho mostra-se de grande relevância tanto para os estudantes, o que agrega grande carga de experiências profissionais antes mesmo da conclusão da graduação, e contribui também para o trabalho dos próprios profissionais de saúde, uma vez que ressalta o quanto é necessário todo o trabalho que é desenvolvido pelo apoio institucional nos serviços de saúde em geral.

MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de um relato de experiência do tipo qualitativo e descritivo, o qual visa expor as experiências vividas dentro do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) no eixo da gestão em saúde, com atuação específica nas atividades da 4ª Gerência Regional de Saúde.

O edital lançado em junho de 2022 foi a porta de entrada para a seleção dos alunos interessados no programa. As inscrições aconteceram entre os dias 18 e 30 de junho de 2022. Após as inscrições, foi realizada uma prova na modalidade online, avaliando conhecimento sobre  Norma Operacional Básica do SUS, Norma Operacional Básica de Assistência à Saúde, Programa PET-Saúde, Política Nacional de Atenção Básica e Leis Orgânicas da Saúde, tendo como critério de aprovação  uma pontuação mínima de 7 pontos.

A etapa seguinte compreendeu uma entrevista, que aconteceu de maneira presencial e se deu entre os dias 13 a 15 de julho de 2022. Os avaliadores desta etapa foram os tutores e preceptores do programa, os quais haviam sido selecionados por meio de um outro processo seletivo. O resultado final foi divulgado em 24 de julho de 2022 e no dia 26 de julho, no bloco G de aulas do CES/UFCG, aconteceu a primeira reunião oficial com os membros (coordenadora, tutores, preceptores e alunos) da 10ª edição do PET-Saúde, com a finalidade de distribuir as equipes entre os eixos  (gestão ou assistência) e seus respectivos pontos de atuação. Após essas etapas, no dia 1º de agosto de 2022, foi dado início às atividades dentro do programa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com o apoio institucional, o qual visa promover a análise e a gestão compartilhadas de trabalho, os petianos acompanham e agem de maneira multidisciplinar, junto a farmacêuticos, Agentes Comunitários de Saúde (ACS), enfermeiros, nutricionista, psicólogos, gestores da saúde, e diversos profissionais que atuam na saúde pública do Sistema Único de Saúde. Essa vivência enriquece o aluno, uma vez que é possível ele já ter contato, na prática, desde a graduação , com o funcionamento do Sistema Único de Saúde.

Dentro da 4ª GRS  os alunos têm acesso direto à agenda de reuniões,  tanto no âmbito regional, como também estadual e federal. Além disso, o trabalho do petiano na gestão regional também envolve visitas presenciais aos municípios que compõem a IV Região de Saúde da Paraíba, sendo possível eles acompanharem os requerimentos de cirurgias, exames e tratamentos, recebimento de medicamentos, participação em Conferências de Saúde e os diversos trabalhos que envolvem a gestão de saúde dos 12 municípios.

Nesse contexto, para compreender a dimensão que a 4ª GRS abrange, foi necessário se apropriar de conceitos, tais como:  Territorialização e Regionalização em Saúde. Sendo assim, por territorialização, entende-se que é o processo de reconhecimento do território atendido pelo sistema de saúde. De acordo com o Departamento de Saúde Pública, da Universidade Federal de Santa Catarina (5), o conceito de territorialização pode ser visto como uma prática, um modo de fazer, uma técnica que possibilita o reconhecimento do ambiente, das condições de vida e da situação de saúde da população de determinado território, bem como o acesso dessa população a ações e serviços de saúde, viabilizando o desenvolvimento de práticas de saúde voltadas à realidade cotidiana das pessoas.

No caso da Regionalização em Saúde, esta pode ser considerada como a busca ou a instrumentalização da melhor disposição e distribuição técnica e espacial dos serviços, visando a cobertura e o acesso da população às ações de saúde, com máxima eficiência institucional e social (6). Nessa perspectiva, apesar dos termos soarem semelhantes, na prática, são diferentes, como pode ser observado na figura 1, a qual mostra a disposição dos municípios que fazem parte da 4ª GRS, demonstrando a territorialização. E apesar da disposição geográfica , a regionalização da saúde acontece para qualificar e facilitar o acesso aos serviços de saúde, como é o caso da existência de uma pactuação do consórcio intermunicipal de saúde entre secretarias de saúde da região.

Além do trabalho na 4ª Gerência, o PET-Saúde também desenvolve atividades como a escrita e apresentação de trabalhos científicos (Figuras 2 e 3), por exemplo, bem como o planejamento e execução de eventos voltados ao cuidado e prevenção de doenças, e que promovam o bem-estar físico, mental e espiritual da população, proporcionando aos alunos e as preceptoras um aprofundamento teórico sobre os temas trabalhados e qualificando ambos na prática da pesquisa e ensino.

No que diz respeito à construção de trabalhos científicos, foram escritos relatos de experiência e artigos para publicação na I Mostra da Escola de Saúde Pública da Paraíba (ESP-PB), que teve como o tema “o SUS é o nosso lugar”. A participação neste evento, fez com que os alunos acompanhassem relatos de experiência de outros profissionais da saúde, em atuações da gestão da saúde e também na assistência da atenção primária à saúde na defesa e efetivação das políticas de saúde.

Nessa perspectiva, o apoio institucional promove ações de educação em saúde e fortalecimento da política de saúde, tanto fora da gerência, quanto em seu âmbito institucional , proporcionando momentos de interação e de cuidado aos trabalhadores da gestão. Assim, foram desenvolvidas nesta edição do PET  ações internas de planejamento e educação permanente, como momentos de educação alimentar e nutricional para os trabalhadores da 4ª Gerência, e também ações para o público em geral, como um evento voltado ao mês de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo, o qual ocorreu no CES/UFCG na modalidade de roda de conversa e com participação da psicóloga Sabrina Almeida, gestora da 4ª GRS do município de Cuité-PB e preceptora do PET-Saúde, que facilitou o debate com o enfoque voltado para a importância do autocuidado e a busca de ajuda profissional como forma de prevenção ao suicídio (Figura 4).

CONCLUSÕES

Dessa forma, levando em consideração os trabalhos exercidos pelos alunos de graduação no PET-Gestão e Assistência, junto ao apoio institucional da 4ª GRS, é  perceptível que atividades como  essas promovem experiências riquíssimas entre alunos e demais profissionais de saúde, o que se configura de extrema importância não apenas engrandecedor para o currículo e a formação acadêmica  de todos os atores envolvidos, mas também formando cidadãos politizados com senso crítico reflexivo e preparados para atuar nas diversas áreas da saúde pública, sejam elas na assistência ou gestão. Possibilita ainda grande aprendizado para os profissionais que atuam nos serviços de saúde,  uma vez que a academia pode proporcionar o uso de novas ferramentas e aplicativos aos trabalhadores do SUS pela interação com os alunos, facilitando e inovando o processo de trabalho, enquanto estes profissionais auxiliam na formação dos valores do planejamento em saúde e na Educação Permanente em Saúde. Portanto, atuar como profissional da saúde é entender que saúde não é apenas ausência de doenças, mas sim promover cuidado e prevenção para a população, de modo que haja uma melhor qualidade de vida, seja no ambiente de trabalho, em sua comunidade ou no atendimento de qualidade na atenção básica valorizando a gestão compartilhada da construção do SUS.

REFERÊNCIAS

1. ASCOM/UFCG/CES. “PET-Saúde CES/UFCG Realiza roda de conversa em alusão ao Setembro Amarelo. www.petsaude.ces.ufcg.edu.br, Oct. 21AD, www.ptsaude.ces.ufcg.edu.br/portal/index.php/informes2/144-grupotutorial13. Acesso: 18 Fev. 2023.

2. Secretaria de Saúde, Pernambuco. “Gerências Regionais de Saúde”. https://portal.saude.pe.gov.br. 23 Abr 2019. https://portal.saude.pe.gov.br/secretaria-executiva-de-coordenacao-geral/gerencias-regionais-de-saude. Acesso 18 Fev. 2023.

3. Guizardi, Francini Lube, et al. “Apoio Institucional Na Atenção Básica: Análise Dos Efeitos Relatados.” Physis: Revista de Saúde Coletiva, vol. 28, no. 28, 25. Fev. 2019, pp. 1-23. www.scielo.br/j/physis/a/jVQnQyDXpHx95GDxfs87y7s/?lang=pt. Acesso: 25 Mar. 2023.

4. Guizardi, Francini Lube, et al. “Apoio Institucional Na Atenção Básica: Análise Dos Efeitos Relatados.” Physis: Revista de Saúde Coletiva, vol. 28, 25 Fev. 2019. www.scielo.br/j/physis/a/jVQnQyDXpHx95GDxfs87y7s/?lang=pt, https://doi.org/10.1590/S0103-73312018280421. Acesso: 13 Fev. 2023.

5. Departamento de Saúde Pública, Universidade Federal de Santa Catarina. “TERRITORIALIZAÇÃO COMO INSTRUMENTO DO PLANEJAMENTO LOCAL NA ATENÇÃO BÁSICA.” 2016. https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/02/Documento-T%C3%A9cnico-regionaliza%C3%A7%C3%A3o-DIAGRAMADO-FINAL-2.pdf. Acesso: 25 Mar. 2023. 5. CONASEMS – Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. “Regionalização da saúde posicionamento e orientações Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.” 2019. https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/02/Documento-T%C3%A9cnico-regionaliza%C3%A7%C3%A3o-DIAGRAMADO-FINAL-2.pdf. Acesso: 25 Mar. 2023.

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